1926
Membro Titular
Cadeira 14 - 1º Titular - Acadêmico Fundador
Patrono: Eugenio da Silva Lopes
Posse: 22/06/1979
Reginaldo Werneck Lopes nasceu em 2 de outubro de 1926, em Curitiba, filho caçula de Eleodoro da Silva Lopes – funcionário público federal na Delegacia Fiscal e flautista que animava cinemas mudos – e Maria Luiza Werneck Lopes, em uma família de dez irmãos. Seu bisavô paterno, Cândido Martins Lopes, jornalista carioca, fundou a Tipografia Paranaense a convite do presidente provincial Zacarias de Góes e Vasconcelos, lançando O Dezenove de Dezembro em 1º de abril de 1854 – o primeiro jornal paranaense, fonte inestimável para historiadores. Seu avô materno, Luiz Henrique Christiano Werneck, e o tio Carlos Werneck construíram a Catedral Metropolitana de Curitiba.
Reginaldo cursou o ensino fundamental I (primário) no Instituto de Educação do Paraná, o fundamental II (ginasial) no Colégio Novo Atheneu (Elísio Viana) e o médio (científico) no Colégio Estadual do Paraná. Graduou-se em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 1950, laureado com os prêmios “Hildebrando de Araújo” e “Nilo Cairo”, pelo melhor desempenho durante o curso. Recebeu também a Bolsa Julio A. Enz, para estagiar em Rosario, Argentina em 1951, na Universidad Nacional del Litoral, com Alberto Baraldi, J. M. Oviedo Bustos e no Hospital Italiano Garibaldi, com Wenceslao Tejerina Fotheringham.
Entre 1956 e 1958, especializou-se em Gastrenterologia no Billings Hospital da Universidade de Chicago, EUA, sob Walter L. Palmer e J.B. Kirsner, após curso de Clínica Médica no Bellevue Hospital da Universidade Cornell, em Nova Iorque, com Thomas Almy, promovido pelo American College of Physicians. Em 1973, cursou Administração Hospitalar, apresentando a monografia “Rede Hospitalar do Estado do Paraná”. Em 1976, obteve Doutorado em Medicina pela aprovação em Concurso de Livre Docência, com a tese “Duodenites; Estudo Endoscópico e Histopatológico”. Em 1982, com bolsa da Deutscher Akademischer Austauschdienst - DAAD, estagiou em Endoscopia Digestiva na Universidade de Nuremberg, com o Prof. L. Demling.
Retornando ao Brasil em 1959, foi admitido como médico do Hospital de Clínicas da UFPR (HC-UFPR) em 1961, logo após sua inauguração e onde permaneceu até 1994. Foi auxiliar de Ensino da Cadeira de Clínica Médica, regida pelo Professor Atlântido Borba Côrtes, ajudando ativamente na constituição do Departamento de Clínica Médica. No Departamento, assumiu a coordenação da Disciplina de Gastrenterologia, sendo pioneiro do ensino desta especialidade, implantando técnicas e procedimentos nos moldes americanos. Regente da Disciplina de Patologia da Nutrição (década de 1980), fundou o Serviço de Hepatologia, inspirado na hepatologista Edna Strauss. Progrediu pela carreira docente até o concurso de Professor Titular do Departamento de Clínica Médica, defendendo a tese “Limites da Normalidade Duodenal”. Exerceu importantes cargos na UFPR, como Coordenador do Mestrado em Medicina Interna, no HC-UFPR, como Diretor da Divisão Médica e Diretor Geral, além de integrar a Comissão de Estudos do Álcool e Drogas da UFPR.
Publicou três livros: “Terapia Nutricional nas Doenças Hepáticas” (2008, coautoria com Francisca Eugênia Zaina e Eliane Miyamoto Kowalski), “Lipídios, nutrientes, agentes da Homeostase, fatores patogênicos?” (2015) e “Proteínas, nutrientes, agentes da Homeostase, fatores patogênicos?” (2025), além de quatro capítulos de livros.
Foi um dos fundadores da Academia Paranaense de Medicina em 1978, ocupando a Cadeira 14, cujo patrono é seu irmão, o cardiologista Eugênio da Silva Lopes. Reginaldo a define como “Instituição destinada a refletir a qualidade da nossa Medicina com potencial valioso para desabrochar como partícipe da formação e aperfeiçoamento da Classe Médica Paranaense”.
Casou-se em 1952 com Maria do Carmo Antunes Lopes, filha de Helena Andrade Antunes e do pediatra Irineu Antunes, com quem teve quatro filhos – Luiz Henrique, Luiza Helena, Elizabeth Maria e Eleodoro, oito netos, Ivens, André, Rodrigo, Ana Carolina, Ana Clara, Júlia, Cristiano e Gabriel, e três bisnetos, Felipe, Tiago e Luísa. Em 1999, casou-se com Clenir de Assis Lopes, filha de Iglantina de Assis e João Francisco de Assis, falecida em 2011.
Aos 99 anos (2025), Dr. Reginaldo deixa como mensagem aos mais jovens: “O homem que continua pensando jamais envelhece. Para eles, a senectude do corpo só lhes atinge às portas da morte. E então, morrer não será um fardo nem um espectro sombrio, mas um repouso merecido.” Sua atuação no magistério superior, inspirado em excelência internacional, permanece seu maior legado.