1929 2015
Membro Emérito
Cadeira 16 - 1º Titular - Acadêmico Fundador
Patrono: Eurípedes Garcez do Nascimento
Posse: 22/06/1979
João Gualberto de Sá Scheffer nasceu em Curitiba, em 6 de junho de 1929. Realizou sua formação inicial, correspondente ao ensino fundamental e médio atuais, no Colégio Santa Maria. Graduou-se em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em dezembro de 1953, integrando a turma do Prof. Atlântido Borba Cortes.
Iniciou a carreira no magistério em 1954, na Cadeira de Terapêutica Clínica da UFPR. Aperfeiçoou-se em farmacologia no Departamento de Farmacologia e Bioquímica da Escola Paulista de Medicina. Continuou atuando na Terapêutica Clínica, que, a partir de 1961, integrou o Departamento de Clínica Médica, instalado no recém-inaugurado Hospital de Clínicas da UFPR.
Participou intensamente de congressos na área, apresentando inúmeros trabalhos científicos. Em 1970, recebeu o título de Visiting Lecturer da Universidade de West Virginia, EUA, atuando no laboratório de Farmacologia dirigido pelo Prof. William Flemming.
Colaborou na criação do Setor de Ciências Biológicas da UFPR, durante a divisão da Faculdade de Medicina, como vice-diretor. De 1970 a 1973, foi responsável pelo convênio entre a UFPR, o Ministério do Interior e o Projeto Rondon, com atuação no Campus Avançado de Imperatriz (Maranhão), onde exerceu o cargo de vice-diretor, deixando uma contribuição significativa para a história dos 80 anos das Ciências Biológicas na UFPR. Em 1974, conquistou o título de Livre-Docente com a tese “Estudo Experimental da Ação Antiarrítmica do Difenidol” e a seguir tornou-se Professor Titular de Farmacologia da UFPR.
Foi professor nos cursos de Medicina da UFPR, da Universidade Católica do Paraná (atual Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUCPR) e da Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná (atual Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná - FEMPAR), da qual foi um dos fundadores. Participou da fundação da regional paranaense da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, no final da década de 1950.
Como membro titular fundador e emérito, presidiu a Academia Paranaense de Medicina (1991-1993). Autor do livro A Memória Médica do Paraná, recebeu em 2003 o Diploma de Mérito Ético-Profissional do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), ao completar 50 anos de conduta exemplar na profissão.
Em maio de 1988, foi homenageado pelo Banco de Olhos de Curitiba e pela FEMPAR por sua luta em prol dos transplantes de órgãos no estado. Sempre convidado a palestrar para estudantes e recém-formados, enfatizava temas como a arte de ensinar, humanismo, ética e moral, e o verdadeiro significado de ser médico. "O médico é um placebo para a cura do doente, e os jovens médicos têm que ter essa noção de Medicina", ensinava. Crítico da abertura indiscriminada de escolas médicas e do uso excessivo da tecnologia, defendia a importância da anamnese, do exame físico, do ouvir o paciente e do olhar nos olhos.
Torcedor do Coritiba Foot Ball Club, contava com orgulho que a área do Estádio Couto Pereira, no Alto da Glória, foi vendida ao clube por seu avô Nicolau Scheffer em 1928. Foi o avô quem o despertou para o cuidado com plantas e a natureza: "A natureza é vida, e eu gostava das coisas da vida", dizia. O pai João Scheffer contribuiu com esta sua paixão. Entre suas paixões, também estavam praticar a medicina e ensinar.
João Gualberto casou-se com Rosa Aryete em 1954 e juntos tiveram quatro filhos, Maria Cecília, Maria Elizabeth, Maria Regina e Carlos Alberto, médico. No segundo semestre de 2003, pouco antes de receber o Diploma de Mérito do CRM-PR, concedeu uma longa entrevista ao Jornal do CRM-PR (edição nº 59, disponível em: https://www.crmpr.org.br/uploadAddress/edicao-59[3629].pdf), destacando sua paixão pelas orquídeas, que cultivava em um "jardim botânico" particular em sua residência e consultório no bairro Batel, compartilhado com os filhos que aprenderam como cultivar seus próprios exemplares e ajudavam o pai a cuidar do orquidário
João Gualberto de Sá Scheffer faleceu em 23 de maio de 2015, aos 85 anos, e deixou um legado humanista e pioneiro na farmacologia e educação médica paranaense, integrando rigor científico, ética e empatia no ensino e na prática clínica