Biografia de

Hélio Brandão

  2023         2017

Membro Emérito

  Cadeira 19 - 1º Titular - Acadêmico Fundador

  Patrono: Glaucio Bandeira

Posse: 22/06/1979

 

Hélio Brandão, filho de Joanita e Espiridião Brandão, nasceu em 2 de outubro de 1923, em Aquidauana, Mato Grosso do Sul. Passou a infância e parte da juventude em Campo Grande, onde completou os estudos primário e ginasial no Colégio Dom Bosco, entre 1933 e 1941. Em 1942, cursou o primeiro ano do Curso Pré-Médico no Liceu Rio Branco, em São Paulo, e, no ano seguinte, concluiu o segundo ano no Ginásio Estadual do Paraná. Sua formação em Medicina ocorreu na Universidade Federal do Paraná (UFPR), entre 1944 e 1949.

Em 1950, ingressou no Corpo Clínico do Sanatório Médico Cirúrgico do Portão, em Curitiba, onde dedicou três décadas ao combate à tuberculose, até 1980, quando o hospital foi remodelado e a doença praticamente erradicada no país. No ano seguinte, 1951, especializou-se em Endoscopia Peroral no Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, sob a orientação do Dr. Plínio de Matos Barreto. Entre 1952 e 1961, atuou como assistente voluntário da cadeira de Tisiologia na Faculdade de Medicina da UFPR.

Em 1954, casou-se com Ophélia Ribas Moreira, com quem teve sete filhos: Maria Ester, Maria Alice, Renato, Hélio, Eunice, Zélia e Maria Luiza.

Dois anos depois, em 1956, iniciou o Serviço de Endoscopia Peroral no Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), em Curitiba, que se tornou referência na cidade. Permaneceu à frente desse serviço até 1991 e ocupou o cargo de diretor do hospital em duas ocasiões.

Sua dedicação às vítimas de acidentes com soda cáustica levou à fundação, em 1962, do “Clube da Soda Hélio Brandão”. A iniciativa atendia majoritariamente crianças que, após ingestão acidental da substância, necessitavam de longos tratamentos para restaurar o calibre normal do esôfago por meio de dilatações progressivas. No mesmo ano, assumiu o posto de Professor Assistente da cadeira de Clínica Médica na UFPR, função que exerceu até 1991.

No HNSG, além de pioneiro na endoscopia, Dr. Hélio atendia pacientes com problemas respiratórios agudos e crônicos, afecções neurológicas e casos de traqueostomia que demandavam cuidados especiais, como assistência respiratória artificial. Naquela época, os recursos eram limitados — o único equipamento disponível vinha da anestesia geral. Foi apenas em 1983 que o hospital inaugurou uma Unidade de Terapia Intensiva equipada e com equipe especializada, aliviando a carga que, até então, recaía quase exclusivamente sobre ele.

Sua trajetória profissional foi amplamente reconhecida. Em 1972, recebeu o Prêmio “Pinhão de Ouro” da Prefeitura Municipal de Curitiba. Em 1988, foi homenageado no XXIV Congresso Brasileiro de Pneumologia e Tisiologia. Em 1996, o Conselho Regional de Medicina lhe concedeu a “Medalha São Lucas” como fundador do Clube da Soda. No ano 2000, celebrou 50 anos de carreira com o “Diploma de Mérito Ético-Profissional” do mesmo conselho.

Apaixonado por música, Dr. Hélio deixou um legado também nas artes. Em 1946, fundou em Curitiba, com os amigos Kalil Rahe e Gabriel Machado, a Orquestra Estudantil de Concertos, que, em 1958, passou a integrar a UFPR como Orquestra Sinfônica, ativa até 1984. Transmitiu esse amor à família: após iniciar musicalmente seus sete filhos em diversos instrumentos, criou, em 28 de junho de 1963, o Conjunto de Câmara da Família Brandão. O grupo realizou inúmeras apresentações até a década de 1980, com sua última performance em dezembro de 1987, durante uma missa no Sanatório Médico Cirúrgico do Portão.

Um fato curioso liga Dr. Hélio ao Patrono da Cadeira 19 da Academia de Medicina, Dr. Glaucio Bandeira. Em 18 de março de 1968, quando Glaucio presidia o Centro de Letras do Paraná, o Conjunto de Câmara da Família Brandão foi convidado para uma apresentação, registrada em reportagem fotográfica. Anos depois, sem que o imaginassem na ocasião, ambos estariam unidos pela mesma cadeira acadêmica — Glaucio como patrono e Hélio como fundador.

Dr. Hélio Brandão faleceu na noite de 4 de maio de 2017, aos 93 anos, deixando um legado indelével na medicina, na música e na vida de todos que o conheceram.


 


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