1947
Membro Emérito
Cadeira 21 - 2º Titular
Patrono: Heraldo de Oliveira Mello
Antecessor(es):
1º Titular - Acadêmico Fundador - Orlando de Oliveira Mello
Posse: 10/05/2002
Francisco Gregori Júnior nasceu em 10 de dezembro de 1947, em Bocaina, São Paulo. Graduou-se em Medicina pela Escola Paulista de Medicina (atual Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP) em 1971. Completou residência em Cirurgia Geral (1972-1973) e Cirurgia Cardiovascular (1974-1975) no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Obteve mestrado em Clínica Cirúrgica pela USP em 1980, com a tese "Resultados hemodinâmicos do implante intramiocárdico de artéria mamária interna", orientado pelo Prof. Geraldo Verginelli, e doutorado em Cirurgia Cardiovascular pela UNIFESP em 1990, com a tese "Cirurgia reparadora da valva mitral com novo modelo de anel protético", sob orientação do Prof. Enio Buffolo. Obteve especialização em Cirurgia Cardiovascular pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular em 1981 e estágios internacionais em instituições na Argentina, França, Estados Unidos e Índia, focando em técnicas como plastia valvar, defeitos cardíacos congênitos e transplantes cardíacos.
Estabelecido em Londrina, Paraná, atuou como Professor Associado e Chefe da Disciplina de Cirurgia Cardíaca no Centro de Ciências da Saúde da Universidade Estadual de Londrina (UEL) desde 1982, coordenando disciplinas e programas de pós-graduação em cirurgia cardiovascular. Liderou o Serviço de Cirurgia Cardíaca do Norte do Paraná e integrou o corpo clínico de hospitais como o Evangélico de Londrina (desde 1980, onde foi chefe em 1996 e 1998), Irmandade Santa Casa de Londrina (desde 1976) e Hospital Norte Paranaense de Arapongas - HONPAR (desde 2001).
Ao longo de mais de cinco décadas, realizou mais de 50 mil cirurgias cardíacas, com 85% atendidas pelo SUS, desenvolvendo cinco técnicas inéditas no mundo e criando próteses como o Anel de Gregori-Braile para Anuloplastia Mitral (registrado pela ANVISA em 2009) e a Braile-Gregori para Substituição das Cordas Tendíneas das Valvas Átrio-Ventriculares (2010). Publicou cerca de 60 artigos em revistas como “Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular” e “The Annals of Thoracic Surgery”, com temas como reparo valvar, patologias aórticas e transplantes cardíacos. Orientou diversas teses e dissertações, formando dezenas de cardiologistas. Ganhou notoriedade por casos inovadores, como na correção emergencial de um caso de insucesso na sutura miocárdica pós-infarto com o uso de cola baseada em cianoacrilato em 1997 para selar um orifício cardíaco e uma cirurgia de 51 horas ininterruptas em 2008 para corrigir um aneurisma aórtico com hemorragia persistente, consumindo 100 litros de sangue e mobilizando doações comunitárias.
É membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (desde 1981), da Sociedade Europeia de Cirurgia Cardiovascular (desde 1997) e da Academia Paranaense de Medicina (desde 2001), organizou congressos nacionais e internacionais, como o 33º Congresso da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (2006) e o Congresso Nacional de Cirurgia Cardíaca (1984).
Recebeu inúmeras homenagens, incluindo o Diploma de Mérito Ético-Profissional do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) em 2021 pelos 50 anos profissionais com ética, Cidadão Honorário de Paranavaí (2012), Prêmio Destaque Paraná (2000 e 2002), Comenda INESUL (2009) do Instituto de Ensino Superior de Londrina, e Operário do Coração (1993 e 2002). Em 2006, alunos da UEL criaram a Associação Atlética Acadêmica Francisco Gregori Junior em sua honra.
Autor de livros de poesia como “Conflitos e Convicções” (2022), “Crux Cordis” (2021) e “Reflexão de um Cirurgião” (2011), e do livro autobiográfico “Com o Coração na Mão: Situações Inusitadas Vividas por um Cirurgião” (2023). Fundou e integra a Gregori's Heart Band, uma banda de rock com sua esposa, um filho e amigos, lançando quatro CDs e se apresentando em congressos médicos, com influências de Bob Dylan, Cat Stevens e Dire Straits.
No âmbito pessoal, é casado e pai de filhos, com a família participando de suas atividades musicais. Dr. Gregori enfatiza sua impetuosidade cirúrgica: "Antes de decretar a perda do paciente, o cirurgião tenta tudo que está na medicina e tudo que não está."
Professor admirado e formador de gerações, Dr. Gregori cultivou com elegância e rigor o ideal humanista da Medicina, tornando-se referência pela erudição, inovação, ética e devoção à docência. Sua trajetória continua a inspirar discípulos e colegas.