Biografia de

Daniel Egg

  1918         1988

Membro Titular

  Cadeira 27 - 1º Titular - Acadêmico Fundador

  Patrono: Jorge Frederico Meyer

Posse: 22/06/1979

 

Daniel Egg, nascido em 18 de março de 1918, em Curitiba, Paraná, foi um médico, professor e líder visionário cuja dedicação à medicina e ao ensino marcou profundamente a história do Paraná. Filho de Carlos e Stella Egg, realizou seus estudos ginasiais no Ginásio Paranaense e graduou-se em Medicina pela Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, em dezembro de 1944. Aperfeiçoou-se na Argentina e no Uruguai, recebendo, em seu retorno, o Prêmio Horta Barbosa da Sociedade Acadêmica de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro.

Na academia, destacou-se como Professor Assistente da Cadeira de Anatomia da Faculdade de Medicina da Universidade do Paraná (Universidade Federal do Paraná após 1950) e, em 1953, assumiu a direção da Cátedra de Anatomia da Faculdade de Odontologia, a convite do Prof. Carlos Estrela Moreira. Em 1957, tornou-se Instrutor de Anatomia na University of California, em Los Angeles, e, na década de 1960, especializou-se em cirurgia pulmonar, publicando diversos trabalhos científicos, alguns em colaboração com o Acadêmico José Alvarenga Moreira (Titular Fundador da Cadeira 42). Em 1969, foi empossado no Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Capítulo de São Paulo.

Sua visão humanística e empreendedora foi fundamental na fundação da Sociedade Evangélica Beneficente em 1943. Quando a pedra fundamental do Hospital Evangélico foi lançada, em 1947, Dr. Egg atendia em ambulatórios improvisados, angariando medicamentos e assistência médica. Em 1959, ano da inauguração, foi eleito o primeiro Diretor Geral do hospital, cargo que ocupou até sua morte. Com a criação da Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná (atual da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná) em 1967, ministrou a aula inaugural em 1969, assumindo como primeiro Diretor e Professor Responsável pela Disciplina de Anatomia, funções que exerceu até o fim de sua vida. Liderou também a fundação da Escola Evangélica de Auxiliares de Enfermagem e impulsionou a expansão do Hospital Escola, mobilizando corpo clínico, funcionários e comunidade em um esforço coletivo para transformar seu sonho em realidade.

No âmbito público, foi Membro do Conselho Estadual de Educação do Paraná e Secretário de Estado da Saúde em 1971, no governo de Leon Peres. Em 1980, tornou-se sócio fundador e, posteriormente, benemérito da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Recebeu o título de Cidadão Honorário de Bandeirantes em 1971, em reconhecimento por sua atuação.

Casado com Raquel de Queiroz Egg, teve quatro filhos, Raquel, Sueli, Beatriz e Daniel Filho, médico, e encontrou nos netos uma fonte de alegria. Sua vida foi marcada pela espiritualidade evangélica, pela dedicação à família e pelo compromisso com a medicina, embora negligenciasse a própria saúde, convivendo com hipertensão arterial e diabetes. Faleceu em 31 de janeiro de 1988, aos 69 anos, deixando um vácuo na medicina paranaense. Em homenagem publicada no jornal Gazeta do Povo, Dr. Ari Leon Jurkiewicz destacou sua fé, abnegação e legado, e escreveu:

“31 de janeiro de 1988.

Um vazio encheu a Medicina Paranaense.

Uma tristeza contagiou a comunidade.

A impotência em vencer a doença

o angustiava, o deprimia…

Descanse em paz. professor doutor Daniel Egg.

Sua vida, exemplo de fé e de abnegação,

É a bússola que orienta o caminho.

Que Deus, em sua misericórdia, abençoe a sua família.

A saudade é grande, demais!”

O Acadêmico Sérgio Augusto de Munhoz Pitaki (Cadeira 27) recorda o primeiro contato com Prof. Daniel Egg, na aula inaugural da turma de Medicina de 1975 da Faculdade Evangélica, quando ouviu as primeiras evocações à Medicina, iguais aos Conselhos de Esculápio. Naquele momento, o Professor incentivou aos jovens estudantes de forma firme e decisiva, a ingressar de corpo e alma na vida acadêmica, abrindo as portas do Hospital para que pudessem aprender a arte da Medicina. A convivência seguiu por 14 anos, como aluno, monitor, assistente, afilhado e amigo, até sua morte precoce. Homenageá-lo é para o Acadêmico Pitaki um momento de gratidão.

Como Membro da Academia Paranaense de Medicina, seu legado reflete uma vida dedicada à ciência, à educação e à humanização da medicina, eternizado em suas contribuições ao Paraná.


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