1927 2010
Membro Emérito
Cadeira 30 - 1º Titular - Acadêmico Fundador
Patrono: Júlio Estrella Moreira
Posse: 22/06/1979
Dirceu Rodrigues nasceu em 22 de abril de 1927, em Curitiba. Graduou-se em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Rio de Janeiro em 1951. No mesmo ano, foi aprovado em concurso para professor auxiliar e médico efetivo no Hospital Central de Pronto Socorro da Prefeitura do Distrito Federal, no Rio de Janeiro. Em 1952, realizou residência médica em Radiologia no Serviço do Dr. Emilio Amorim de quem se tornou grande amigo. Tornou-se membro efetivo da Sociedade Brasileira de Radiologia e do Colégio Brasileiro de Radiologia em 1953.
Retornou a Curitiba e obteve Livre-Docência em Clínica Propedêutica Médica na Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 1960. De 1960 a 1964, atuou como professor auxiliar contratado e nomeado na Cadeira de Clínica Médica, progredindo para professor assistente em 1964 e adjunto em 1968. Em 1969, recebeu o Título de Especialista em Radiologia, certificado pelo CRM-PR.
Em 1976, participou da criação da Disciplina de Radiologia no curso de Medicina da UFPR, lecionando até a aposentadoria em 1995. Orientou teses de mestrado e integrou bancas de concursos para professores em Clínica Médica e Radiologia entre 1984 e 1995. Em 1995, foi indicado Professor Sênior pelo Departamento de Clínica Médica e agraciado com o Prêmio Gralha Azul pela Associação Paranaense de Radiologia.
Publicou trabalhos notáveis, como “Doença de Chagas diagnosticada em Curitiba, Relato de 2.401 exames radiológicos abreugráficos do estômago”, “Compressão do esôfago cervical por osteófitos” e “Aspectos radiológicos na cardiopatia chagásica crônica”, apresentados em congressos, cursos e seminários.
O profundo conhecimento de Clínica Médica permitia-lhe olhar além da imagem radiográfica, conferindo diagnósticos notavelmente acertados. Muito antes da chamada “inclusão social”, introduziu o primeiro deficiente visual com a profissão de técnico em Radiologia no Hospital de Clínicas (HC) da UFPR, abrindo assim uma nova área de trabalho às pessoas com deficiência.
Dirceu casou-se com Regina Moreira Rodrigues, filha do Patrono da Cadeira 30, o Acadêmico Júlio Estrella Moreira. O casal teve quatro filhos, Guilherme, advogado; Ricardo, médico; André, cirurgião-dentista e Artur, arquiteto. Em meados da década de 1960, o casal matriculou seus dois filhos mais velhos na escolinha de verão do Clube Curitibano, em Curitiba, para aprenderem a nadar. O treino de natação era esporádico, pois havia escassez de professores qualificados e falta de infraestrutura, como aquecimento da piscina, mesmo no ameno verão curitibano, mas especialmente no gélido outono-inverno de Curitiba. Com seu conhecimento de fisiologia e livros especializados do exterior, Dirceu rapidamente assimilou as técnicas necessárias.
Dirceu e sua esposa Regina foram os fundadores da natação competitiva no Clube Curitibano. Ele foi também fundador da Federação de Desportos Aquáticos do Paraná e condecorado como "Melhor Dirigente Técnico" pela Federação Desportiva Paranaense. Ao conseguir a aprovação e construção da Piscina Olímpica do Clube Curitibano, com a certeza de que todas as conquistas seriam mantidas, ele afastou-se da natação. Hoje o Clube Curitibano tem uma das melhores equipes de natação do Brasil e formou milhares de jovens e atletas com expressivos resultados nacionais e internacionais.
Como bom descendente de portugueses, Dirceu não se afastou da água. Após a natação, dedicou-se à navegação, pois “navegar é preciso”. Associou-se ao Iate Clube de Caiobá e comprou uma lancha. Sempre muito atento à comunidade e frente às dificuldades do Iate Clube de Caiobá com sua sede antiga encravada no morro e espremida entre Ferry Boat e o mangue, Dirceu comprou um terreno em nome do Iate e pouco depois construiu a sede atual.
Participou de inúmeras corridas de lanchas, sagrando-se campeão na categoria Diesel e terceiro na Geral da corrida em águas aberta mais importante de motonáutica do Brasil na época, a Santos - Rio. Novamente o clamor pelo esporte fez com que ele iniciasse as competições de natação em águas abertas, décadas antes do esporte se tornar olímpico.
Faleceu em 9 de setembro de 2010, em Curitiba. Seus feitos na medicina e nos esportes, pela comunidade, pela natação e pelo Iate de Caiobá resultaram em duas homenagens póstumas significativas: a Câmara de Vereadores de Curitiba denominou um logradouro em sua honra, e o HC-UFPR denominou a Ala de Radioterapia do Hospital em sua homenagem. Esta última cimenta seu legado no âmbito acadêmico e assistencial, eternizando sua memória no local onde dedicou sua vida ao ensino e à prática da medicina, bem como ao avanço da Radiologia paranaense.
Dirceu exerceu com maestria a profissão à qual aliou a capacidade de inovar à vocação de ir além. Sua trajetória o consolida como um pioneiro da radiologia paranaense, unindo excelência acadêmica, inovação diagnóstica e um legado incomparável na medicina, no esporte e na comunidade. Seu legado é perene em todas as comunidades em que participou.