1921 2009
Membro Titular
Cadeira 35 - 1º Titular - Acadêmico Fundador
Patrono: Manoel Pereira da Cunha
Posse: 22/06/1979
Gastão Pereira da Cunha, nascido em 22 de setembro de 1921, em Rio Negro, Paraná, filho de Manoel e Anita Pereira da Cunha, foi um cardiologista visionário cuja trajetória marcou a medicina paranaense. Sua formação inicial ocorreu no Curso Primário em Rio Negro e no Curso Secundário no Colégio Novo Ateneu, em Curitiba.
Ingressou na Faculdade de Medicina do Paraná (atual Universidade Federal do Paraná - UFPR) em 1940, concluindo o curso em 12 de dezembro de 1945 como orador da turma e primeiro colocado, recebendo a Medalha de Ouro Dr. Nilo Cairo, os Prêmios Raul Leite, Fraternidade Argentino-Brasileira e Labor (por excelência em Clínica Cirúrgica no 5º ano). Agraciado com a Bolsa de Estudos Júlio A. Enz, estagiou em 1946 no Hospital Nacional del Centenário, em Rosário, Argentina, sob orientação dos Profs. David Staffieri e Luiz Sabathié, e no Serviço de Cardiologia do Hospital Italiano, com o Prof. Fernando Gaspary. Em Buenos Aires, acompanhou palestras de renomados médicos como Pedro Cossio, Bernardo Houssay e Alfredo Soldati.
De volta a Curitiba, tornou-se o terceiro cardiologista da cidade, sucedendo Máximo Pinheiro Lima e Eugênio Lopes. Em 1947, foi contratado como médico assistente da Cadeira de Clínica Médica da UFPR, sob o Prof. João Cândido Ferreira. Em 1950, aprovado em concurso para Livre-Docência, passou a Professor Adjunto, assumindo interinamente a regência da cadeira em várias ocasiões. Na Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, foi Chefe da Enfermaria São Vicente (1953) e Moisés Marcondes (1954). Inspirado pela sistemática argentina, inovou o ensino médico ao introduzir especialidades como Cardiologia, Angiologia, Nefrologia, Pneumologia, Hematologia, Gastroenterologia e Reumatologia, capacitando profissionais que liderariam essas áreas no Hospital de Clínicas (HC) da UFPR.
Em 1954, fundou o primeiro laboratório de hemodinâmica do sul do Brasil, instalado pelo Dr. Paulo Franco de Oliveira, e colaborou com o patologista Dr. Atys Quadros da Silva em reuniões anatomopatológicas e publicações científicas. Com a inauguração do HC-UFPR em 1961, transferiu suas atividades universitárias para lá, desligando-se da Santa Casa, que o agraciou com o título de Médico Honorário em 1962. Por mais de 20 anos, foi Chefe da Disciplina de Cardiologia e do Serviço de Cardiologia do HC-UFPR, além de Chefe do Departamento de Clínica Médica da UFPR (1968–1971, 1973). Em 1973, tornou-se Professor Titular.
Pioneiro na pós-graduação, criou em 1975 o Mestrado em Cardiologia da UFPR, coordenando-o até 1989 e formando mais de 50 mestres de diversos estados brasileiros e países sul-americanos. No mesmo ano, fundou o Curso de Especialização em Cardiologia, que titulou mais de 70 especialistas, elevando o padrão do atendimento cardiológico no Paraná. Como docente, foi homenageado por 17 turmas da UFPR, sendo paraninfo em quatro ocasiões (1954, 1962, 1966 e 1974). Publicou mais de 100 trabalhos em revistas especializadas, colaborou em 13 capítulos de livros de Cardiologia e participou de cerca de 350 conferências, palestras e mesas redondas em congressos nacionais e internacionais. Integrou inúmeras comissões examinadoras em universidades brasileiras para concursos de Professor Titular, Livre-Docência, Mestrado e Doutorado. Aposentou-se da UFPR em 1989, encerrando sua prática médica privada em setembro de 2001, aos 80 anos.
Sua atuação associativa incluiu: Presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (1962–1963), Presidente do XVII Congresso Brasileiro de Cardiologia (1961), Presidente da Associação Médica do Paraná (1966–1967), Sócio Fundador e Presidente da Sociedade Paranaense de Cardiologia - SPC (1972–1973, 1974–1975), Membro Efetivo do CRM-PR (1959–1964) e Membro Titular Fundador da Academia Paranaense de Medicina (1978–2009). Internacionalmente, foi Convidado de Honra em eventos como a I Jornada da União das Sociedades de Cardiologia da América do Sul - USCAS (Rosário, Argentina, 1963), o VI Congresso Argentino de Cardiologia (Mar del Plata, Argentina, 1965), quando foi Hóspede de Honra da Municipalidade de Mar Del Prata, o VII Congresso Sul-Americano de Cardiologia (Bogotá, Colômbia, 1975) e o I Congresso Argentino de Cardiologia Pediátrica e Simpósio da USCAS sobre "Febre e Cardiopatia Reumática (Córdoba, Argentina, 1984), além de integrar uma delegação científica à China (1977) (Figura 2). Foi nomeado Membro Honorário da Sociedade Argentina de Cardiologia (1965) e Membro Correspondente da Sociedade Chilena de Cardiologia (1965).
Recebeu homenagens, como o Prêmio Gastão Pereira da Cunha, criado pela SPC para o melhor tema livre nos seus congressos (2002), os Prêmios Destaque em Medicina da Associação Médica do Paraná (2006) e Destaque Docente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (Recife, 2006) e o título de Professor Emérito da UFPR (2008).
Gastão, casado em 17 de maio de 1947 com Norma Maria Leinig Pereira da Cunha, teve três filhos, Gastão (engenheiro civil), Cláudio (médico cardiologista) e Heloisa Beatriz (psicóloga), e foi avô de 11 netos e bisavô de 12 bisnetos.
Faleceu em 13 de maio de 2009, deixando um legado de inovação, ensino e humanismo que continua a inspirar a medicina paranaense.
Figura 1: Encontro de Gastão e Norma Pereira da Cunha com Cristian Barnard, realizador do primeiro transplante cardíaco, em Lima, Peru.
Fonte: Inter American Congress of Cardiology (1968).
Figura 2: Delegação brasileira recepcionada pelo Ministro da Saúde na China.

Fonte: Ministério da Saúde, RPC (1977).