1938
Membro Emérito
Cadeira 45 - 1º Titular - Acadêmico Fundador
Patrono: Petit Carneiro
Posse: 22/06/1979
Sanito Wilhelm Rocha nasceu em Curitiba, em 23 de julho de 1938, filho de Moacyr Taddei Rocha e de Elisa Wilhelm Rocha. Órfão de pai aos três anos, viu a mãe, viúva aos 24, criar sozinha os três filhos. Mais tarde, retribuiu esse cuidado acompanhando Dona Elisa, cardiopata grave, até seus 96 anos.
Sanito graduou-se em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em dezembro de 1962. No ano seguinte, realizou aperfeiçoamento em Clínica Médica, com ênfase em Cardiologia e Pneumologia, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS (1963). Entre setembro de 1963 e setembro de 1964, integrou como bolsista da Rotary Foundation o Institute of Cardiology, National Heart Hospital, da University of London, na Inglaterra, em regime de pós‑graduação em tempo integral. O estágio em Londres consolidou sua formação em cardiologia clínica e terapêutica e influenciou seu modo de ensinar: rigor propedêutico, espírito crítico e permanente atualização.
De volta a Curitiba, iniciou em 1964 uma trajetória contínua na UFPR, nas disciplinas de Cardiologia e Clínica Médica, alcançando o cargo de Professor Adjunto. Participou da pós‑graduação, ministrando disciplinas como Fisiopatologia das Doenças Cardiovasculares, Semiologia e Emergências Médicas, orientando trabalhos e atuando em bancas. Como docente, era lembrado pela precisão do exame físico, pela clareza didática e pela preocupação em ligar sinais, sintomas e fisiopatologia à decisão clínica. Sua sala e seus estágios foram escola de gerações de clínicos e cardiologistas.
Na assistência, atuou em tradicionais hospitais curitibanos, como Cruz Vermelha, Pilar, Nossa Senhora das Graças, Santa Cruz, entre outros e dirigiu, entre 1973 e 1977, a Unidade Coronariana de Terapia Intensiva do Instituto de Cardiologia de Curitiba/Procor, em anos decisivos para a consolidação do cuidado intensivo ao paciente coronariano. Servidor público municipal e federal, trabalhou no Departamento Médico da Prefeitura de Curitiba e no Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Curitiba (IPMC), além de perícias no então Instituto Nacional de Previdência Social - INPS (atual Instituto Nacional do Seguro Social – INSS). Manteve consultório de cardiologia clínica por cinquenta anos, de maio de 1968 a 31 de outubro de 2018. O consultório foi, para muitos pacientes, espaço de seguimento longitudinal, escuta atenta e orientação terapêutica clara, num diálogo que unia ciência, prudência e humanidade.
No associativismo, foi sócio‑fundador da Sociedade Paranaense de Cardiologia (SPC) e seu presidente na gestão 1980/1981, contribuindo para estruturar jornadas científicas e fortalecer a educação médica continuada no Estado. Integrou a Associação Médica do Paraná e o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM‑PR), no qual atuou como delegado, conselheiro fiscal e conselheiro efetivo/suplente, sempre defendendo padrões elevados de prática e formação. Em 2012, por ocasião dos 50 anos de exercício da Medicina com histórico ético exemplar, recebeu do CRM‑PR a homenagem do Jubileu de Ouro (Figura 1).
Sua produção e presença científicas acompanharam a evolução da cardiologia brasileira a partir da segunda metade do século XX, com aulas, conferências, mesas redondas e publicações sobre arritmias, síndrome coronariana, trombólise, angioplastia e terapêutica antianginosa. Mais que títulos, era reconhecido por um estilo de medicina que aliava domínio técnico, observação clínica fina e respeito ao paciente. Depoimentos de ex‑alunos e colegas destacam sua serenidade, a condução ética de casos complexos e a capacidade de ensinar pelo exemplo — do leito ao auditório, do estetoscópio ao artigo, do detalhe semiológico à conduta segura.
Casou-se com Helena Garcia Rocha, com quem teve três filhas, Fernanda, Heloísa e Beatriz, e foi um avô enternecido pela neta Carolina. Homem culto e discreto, leitor de alta literatura e interessado por história, medicina e cultura geral, foi também homem de fé, que buscava em Deus e em Nosso Senhor Jesus Cristo serenidade para os momentos difíceis.
Faleceu no início de 2021, aos 82 anos de idade. Seu legado atravessa três eixos que se reforçam mutuamente: o cuidado clínico centrado na pessoa; o ensino que forma, questiona e atualiza; e a ação institucional que organiza a vida científica e valoriza a profissão. Sanito Rocha permanece como referência para a Cardiologia paranaense, de competência, decência e amor ao ofício de médico.
Figura 1: Dr. Sanito recebe a Homenagem do CRM-PR no seu Jubileu de Ouro

Fonte: CRM-PR, 2012.