Biografia de

José Rocha Faria Neto

  1972      

Membro Titular

  Cadeira 45 - 2º Titular

  Patrono: Petit Carneiro

Antecessor(es):
1º Titular - Acadêmico Fundador - Sanito Wilhelm Rocha

Posse: 01/04/2022

 

José Rocha Faria Neto nasceu em 6 de junho de 1972, em Curitiba, Paraná, filho de Fajardo e Elizabeth Faria. De família paterna tradicional do meio jurídico e político, foi do avô materno, Jorge Anastacio, que herdou o gosto pela Medicina. Foi pela promessa feita ao avô, com quem tinha grande vínculo e que perdeu aos 13 anos, que decidiu seguir a profissão. Aos 16 anos, ingressou na Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde acompanhou por anos a Disciplina de Pneumologia. Entretanto, nos períodos finais, descobriu a vocação definitiva pela Cardiologia, especialmente após testemunhar os cuidados à sua avó infartada pelo Dr. Sanito Wilhelm Rocha, referência ética e clínica que o marcaria para sempre.

Concluída a graduação em 1994, mudou-se para São Paulo e realizou Residência em Clínica Médica no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) (1995), e, posteriormente, a Residência em Cardiologia no Instituto do Coração do HC-FMUSP (InCor) (1996-1997), onde permaneceu por vários anos. No InCor, vinculou-se ao Prof. Protásio Lemos da Luz, que se tornou mentor e conselheiro em todos os passos na sua carreira profissional (Figura 1). Em 2002, aos 29 anos, concluiu seu Doutorado no InCor, com ênfase em aterosclerose e suas complicações. No mesmo ano, seguiu para Los Angeles (EUA), onde realizou pós-doutorado no Atherosclerosis Research Center, do Cedars-Sinai Medical Center, sob supervisão do Dr. Prediman K. Shah, referência mundial na área de aterosclerose. Por um período de dois anos, dedicou-se integralmente ao estudo de mecanismos moleculares da aterosclerose. O convívio com referências como James H. Forrester e William Ganz (coidealizador do cateter Swan–Ganz) fortaleceu sua visão translacional, do laboratório ao leito, e ampliou o repertório para investigação clínica e terapêutica.

Em 2004, aos 32 anos, retornou à cidade natal, Curitiba, e ingressou na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) pelas mãos do então Decano Prof. Alberto Accioly Veiga, iniciando uma trajetória acadêmico-assistencial sustentada por ensino, clínica e pesquisa. Essa fase inicial de retorno a Curitiba foi marcada pelo nascimento de suas duas filhas, dividindo o tempo entre a família e o crescimento profissional. Como docente de Cardiologia da PUCPR, sempre teve orgulho de ver muitos de seus alunos seguirem a mesma área e hoje serem colegas de profissão. Como pesquisador no Programa de Pós- Graduação em Ciências da Saúde, consolidou sua pesquisa na área de dislipidemias e prevenção cardiovascular, sendo atualmente o Coordenador do Programa. Desde então, orientou dezenas de mestrandos e doutorandos e publicou cerca de uma centena de artigos em periódicos nacionais e internacionais. Além disso, ajudou a elaborar inúmeras Diretrizes no Brasil e no exterior, sempre vinculadas à área de prevenção cardiovascular.

Em 2011, permaneceu um período na Erasmus University, Rotterdam, Holanda, aprofundando-se em estudos na área de epidemiologia. A partir daí, sua produção passou a integrar de modo sistemático todo o continuum da ciência cardiovascular — dos mecanismos moleculares às avaliações populacionais — articulando fisiopatologia, métodos quantitativos e impacto em políticas e práticas de saúde. Neste mesmo período, foi convidado a integrar o programa de “Emerging Leaders” da World Heart Federation, aumentando ainda mais sua rede de colaboração internacional.

Durante a pandemia de COVID-19 (2020–2021), em coerência com sua atuação prévia na área de epidemiologia, liderou com o grupo da PUCPR análises de dados e projeções em tempo real. Tornou-se presença frequente em rádio e televisão em rede nacional, oferecendo cenários e recomendações baseados em evidências para apoiar decisões clínicas e de saúde pública. Colaborou ativamente com a Secretaria de Saúde do Paraná nos momentos mais críticos da pandemia. Em abril de 2021, frente à sua atuação, foi convidado pelo então Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, a assumir a recém-criada Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à COVID-19 do Ministério da Saúde. Entretanto, declinou, pois a atividade exigiria dedicação integral e atuação em Brasília, optando por manter as atividades acadêmicas e assistenciais em Curitiba.

No âmbito associativo, envolveu-se ativamente na Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), tendo presidido o Departamento de Aterosclerose da SBC, área em que rotineiramente atua como palestrante em congressos nacionais e internacionais.

É casado com Cláudia Nogarolli Faria e pai de Giovanna, estudante de Medicina na PUCPR, e Luíza, suas razões permanentes de alegria e propósito.

Atualmente, continua a conciliar suas de ensino, pesquisa e assistência. Clínico atento e professor dedicado, valoriza a decisão compartilhada, o exame físico minucioso, a leitura crítica e a escrita científica clara, formando profissionais capazes de unir ciência, prudência e humanidade.


                                                                                                                     Figura 1: José Rocha Faria Neto e seu mentor, Prof. Protásio Lemos da Luz

                                                                                                                                             Fonte: Acervo pessoal, 20XX

FBAM