Biografia de

José Eduardo de Siqueira

  1942         2025

Membro Emérito

  Cadeira 58 - 2º Titular

  Patrono: Lysandro de Paula Santos Lima

Antecessor(es):
1º Titular - Acadêmico Fundador - João Juglair Júnior

Posse: 03/09/2009

 

José Eduardo de Siqueira nasceu em 19 de julho de 1942, em São Paulo. Graduou-se em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo em 1967. Realizou residência médica no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, especializando-se em Cardiologia em 1976. Concluiu o Doutorado em Medicina na Universidade de Londrina em 1974. O Mestrado em Bioética defendeu na Universidade do Chile em 1998, com tese sobre a obra do filósofo alemão Hans Jonas, e foi reconhecido academicamente como o primeiro título de Mestre em Bioética concedido a um autor brasileiro.

Num dia chuvoso de final de novembro de 1969, o Dr. José Eduardo de Siqueira chegou a Londrina, vindo de São Paulo, com a missão de conhecer os locais onde atuaria na implantação da fase clínica do curso de Medicina da futura Universidade Estadual de Londrina (UEL). Atendia a um convite do médico Ascêncio Garcia Lopes, então presidente da entidade. Curiosamente, o primeiro registro de sua chegada foi um cachorro de pelagem avermelhada, tingida pela terra vermelha da “Capital do Café”.

Desde então, passou a reconhecer que essa terra vermelha simbolizava o destemor da comunidade local, orgulhosa de seu espírito arrojado em construir a própria história. Tornar-se um “pé vermelho” tornou-se sua meta, uma condição que o acompanhou pela vida afora. Eis alguns eventos que marcaram sua trajetória como membro ativo da comunidade londrinense, contribuindo para que se considerasse merecedor dessa honrosa designação.

Os anos 1970 e 1980 foram o período da implantação do curso de Medicina na UEL. Docente jovem, aceitou o desafio de formar médicos competentes em uma cidade que, apesar de contar com profissionais qualificados reunidos na Associação Médica de Londrina, carecia de infraestrutura adequada em laboratórios e leitos hospitalares. O corpo docente, em sua maioria, havia se qualificado em centros de excelência como o Hospital dos Servidores Públicos do Estado de São Paulo e o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Todos foram contratados em regime de dedicação exclusiva, e quase a totalidade já possuía o título de Doutor em Ciências da Saúde.

Em 1991, assumiu a presidência da Associação Médica de Londrina, que comemorava seu cinquentenário. Publicou uma revista com entrevistas de ex-presidentes, traçando a exitosa trajetória científica da entidade. No mesmo ano, firmou convênio com o Ministério da Saúde para implantar um Programa de Educação Médica Continuada, fomentando maior integração entre a associação e o Centro de Ciências da Saúde da UEL.

 Crescia no país o movimento para regulamentar pesquisas com seres humanos nos anos 1990. Em Londrina, organizou-se no Hospital Universitário um Comitê de Ética em Pesquisa, reconhecido oficialmente pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) como um dos primeiros do Brasil (1997). Essa conquista permitiu a nomeação do Dr. José Eduardo como membro titular da CONEP. Na época, promoveu um Encontro Nacional de Ética em Pesquisa, inaugurando o Comitê de Bioética do Hospital Universitário da UEL. Havia participado, entre 1996 e 1998, de curso de formação em bioética patrocinado pela Organização Pan-Americana da Saúde, na Universidade do Chile. Em 1997, introduziu a disciplina de Bioética no curso de Medicina da UEL. Em 2011, foi convidado a organizar o novo curso de Medicina no campus Londrina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, onde também coordenou a disciplina de Bioética.

Participou de cerca de uma dezena de obras sobre bioética, como organizador ou autor principal. Em 1999, abriu o Curso de Pós-Graduação *lato sensu* em Bioética na UEL, mantido por dez anos até sua aposentadoria em 2009. De 2005 a 2007, presidiu a Sociedade Brasileira de Bioética e organizou o livro *Bioética no Brasil: tendências e perspectivas*. A obra atraiu bioeticistas europeus, resultando em edição especial da revista Journal International de Bioéthique, intitulada “La Bioéthique au Brésil”, publicada em Paris.

Ao longo de 54 anos de dedicação à comunidade londrinense, empenhou-se em transmitir valores éticos, acreditando ter atingido a essência da condição de “pé vermelho”. Foi homenageado com o título de Cidadão Honorário de Londrina (2014), conferido pelos poderes executivo e legislativo do município.

Desfrutou de uma vida feliz até 9 de fevereiro de 2025, quando, em dia chuvoso como o de sua chegada, despediu-se da terra dos “pés vermelhos”.


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