Biografia de

Fani Frischmann Aisengart

  1921         2011

Honorário

 

Fani Frischmann Aisengart nasceu em Curitiba em 29 de maio de 1921, filha de imigrantes poloneses de origem judaica que, como tantos outros de sua geração, encontraram no Paraná do início do século XX uma terra de recomeço. Cresceu em uma família que valorizava o trabalho, o estudo e a integridade, princípios que guiariam toda a sua trajetória. Desde a infância manifestou o desejo, então quase impensável para uma menina, de seguir a Medicina.

Sua referência maior foi Marie Curie, física e química polonesa, pioneira no estudo da radioatividade e duas vezes laureada com o Prêmio Nobel. Fani dizia, ainda criança, que queria ser como ela, e na figura da cientista via tudo aquilo que buscaria na profissão: rigor científico, perseverança e protagonismo feminino em um campo então dominado por homens. Vencer a resistência da própria família foi seu primeiro grande desafio: para os pais, a ideia de que a filha trabalhasse fora de casa e atendesse pacientes, com o risco real de contrair tuberculose então prevalente, soava como um rompimento das convenções da época. Ainda assim, Fani prevaleceu pela força da vocação. Ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade do Paraná (Universidade Federal do Paraná - UFPR) e formou-se em 1945, em uma turma de 120 estudantes na qual era uma das três únicas mulheres. Durante a graduação, estagiou junto à Dra. Maria Falce de Macedo, primeira professora universitária do Paraná, com quem teve contato direto com a então incipiente medicina laboratorial. Foi nesse ambiente que descobriu sua paixão pelas pipetas, pelos microscópios e pela exatidão diagnóstica que sustenta toda a prática clínica.

O marco fundador de sua obra ocorreu em 29 de maio de 1945, dia de seu aniversário e do ano em que se formou, com a abertura do Laboratório Frischmann Aisengart, em parceria com seu colega de turma e marido, Oscar Aisengart. A primeira unidade, instalada na Praça Generoso Marques, no Centro de Curitiba, nasceu pequena, mas com uma visão ambiciosa: oferecer ao paciente paranaense exames de qualidade comparável aos dos grandes centros internacionais, em uma época em que praticamente todo o material laboratorial precisava ser importado. A tradição que o casal estabeleceu de inaugurar cada nova unidade no dia 29 de maio tornou-se símbolo do entrelaçamento entre vida pessoal e obra profissional. Ao longo das décadas, o laboratório consolidou-se como referência em medicina diagnóstica e, em 2005, ano em que completava 60 anos, passou a integrar a Dasa, maior rede de medicina diagnóstica da América Latina.

Casada com Oscar, com quem viveu uma união profunda até o falecimento dele, construiu uma família de três filhos. Conciliou, com a naturalidade que ela mesma fazia questão de sublinhar, a direção de um laboratório em expansão com a vida doméstica, os almoços de domingo e o cuidado com os pais idosos, desfazendo, na prática cotidiana, os tabus que pesavam sobre as mulheres profissionais de sua geração.

Mais do que empresária, Dra. Fani foi médica em sentido pleno: cuidou da técnica com o mesmo rigor com que cuidou das pessoas. Seu legado foi reconhecido em vida por duas das mais importantes honrarias da medicina paranaense. Em 1996, recebeu do Conselho Regional de Medicina do Paraná o Jubileu de Ouro — Diploma de Mérito Ético-Profissional, concedido a médicos com 50 anos de exercício exemplar da profissão. Em 2005, foi eleita Acadêmica Honorária da Academia Paranaense de Medicina, distinção então outorgada pela terceira vez em toda a história, em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à comunidade médica e à sociedade paranaense.

Dra. Fani faleceu em Curitiba em 31 de julho de 2011, aos 90 anos, e foi sepultada no Cemitério Israelita do bairro Santa Cândida. Sua trajetória sintetiza, de forma luminosa, o que há de mais essencial na vocação médica: a coragem de romper barreiras, o rigor científico a serviço do paciente e a convicção de que a Medicina se faz com técnica, ética e humanidade. Pioneira entre as mulheres médicas do Paraná, fundadora de uma das mais sólidas instituições de medicina diagnóstica do Brasil, Fani Frischmann Aisengart segue inspirando estudantes, médicas e médicos a transformar o sonho, sempre maior do que o medo, em obra duradoura ao serviço da vida.


FBAM