Biografia de

João Evangelista Espíndola

  1860         1934

Patrono

  Cadeira 24

  Patrono: João Evangelista Espíndola

 

João Evangelista Espíndola, filho de Ana Gomes de Oliveira e de Francisco de Abreu Espíndola, nasceu em São Pedro, Rio Grande do Sul, no dia 27 de dezembro de 1860.

Formou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e obteve o grau de doutor em 1883 defendendo a tese Da Isquemia Cirúrgica e sua Influência Sobre o Resultado das Operações Cirúrgicas, que analisava o método de produzir isquemia pelo uso de garrotes visando obter ausência de sangramento no campo operatório.

Em 1855 fixou-se em Paranaguá como inspetor da saúde do porto e mais tarde, com a morte de Leocádio Corrêa, assumiu a direção da Santa Casa de Misericórdia daquela localidade. Foi também diretor do Departamento de Higiene Municipal e médico da Escola de Aprendizes de Marinheiros. Figura de destaque na cidade, em novembro de 1887 recebeu da Câmara Municipal de Paranaguá a Medalha de Honra ao Mérito por serviços prestados à comunidade.

Em 1894, durante a invasão de Paranaguá pelas forças federalistas, Espíndola chefiou o Corpo de Saúde do Exército Libertador. Com a derrota dos maragatos mudou-se para Curitiba.

Na capital paranaense teve uma carreira bem sucedida. Serviu o exército como médico-adjunto da guarnição de Curitiba, função da qual se exonerou em 1897 porque outras atividades profissionais o impediam de continuar a cumprir os deveres militares. Na ocasião recebeu louvor do comando do distrito militar pelos notáveis serviços prestados.

Em 1895 passou a trabalhar no Hospital de Caridade da Santa Casa de Misericórdia, onde até então só atuava Antonio Rodolpho Pereira Lemos. Em 1899 Victor do Amaral juntou-se a eles e em 1901, José Guilherme de Loyola e Miguel Santiago. João Evangelista Espíndola exerceu a direção clínica do hospital de 1908 a 1928. Clínico e cirurgião, atendia os doentes com permanente empenho, conforme está registrado nos livros de assentamento diário do velho hospital.

Interessava-se particularmente pelo tratamento da tuberculose. Em 1901 publicou um livro defendendo a superalimentação, causa de acerba polêmica publicada nos jornais locais entre ele e João Cândido Ferreira, que levou o assunto à Academia Nacional de Medicina em memória que lhe valeu o título de Membro Correspondente.

Em 1903 Espíndola fazia cirurgia de hérnia usando dispositivos metálicos para obstruir o orifício da parede abdominal e o fato repercutiu na imprensa que considerou a intervenção um sinal de avanço técnico, opinião contestada publicamente por Menezes Doria que a julgava corriqueira. Assim, estava armado o cenário para um mais debate pelos jornais.

Em 31 de outubro de 1907, João Evangelista realizou a primeira operação cesariana do Paraná auxiliado por Reynaldo Machado e tendo Cláudio Lemos como cloroformista.

Em 1912 instalou na rua Marechal Deodoro a Casa de Saúde São Sebastião, uma das primeiras na cidade e onde foram atendidos muitos feridos da polícia militar na época da Campanha do Contestado.

Em 1913 a recém-organizada Congregação da Faculdade de Medicina selecionou-o para reger a cadeira de Clínica Propedêutica Médica no 2º e no 3º ano do curso e em 1919, a disciplina de Higiene. Também colaborou com a faculdade participando de várias bancas de concurso e da revalidação do diploma de médicos estrangeiros. Em 1925 renunciou ao cargo de professor da Faculdade de Medicina, que o manteve em disponibilidade em atenção aos serviços por ele prestados ao estabelecimento.

Em 1917 foi fundada a Cruz Vermelha do Paraná e Espíndola foi membro do Conselho Diretor e vice-presidente da primeira diretoria eleita, posições a que foi reconduzido por dez anos consecutivos. Em 1926 agraciaram-no com o título de Grande Benemérito do Hospital.

Ao longo da carreira exerceu cargos públicos de relevo. Foi o primeiro diretor do Hospital Oswaldo Cruz, inspetor federal do Ginásio Paranaense, diretor do Departamento de Higiene Municipal de Curitiba e membro do conselho penitenciário. Na estrada de ferro São Paulo - Rio Grande chefiou o Serviço de Acidentes do Trabalho.

Em Paranaguá foi redator dos jornais Razão e Século e em Curitiba escreveu regularmente nos jornais A República, A Notícia, Diário da Tarde, Gazeta do Povo e Comércio do Paraná. Também redigiu, junto com Victor do Amaral e Reinaldo Machado, a Gazeta Médica do Paraná, o primeiro periódico médico paranaense e cujo número inicial foi publicado em 19 de agosto de 1901. A partir de junho de 1904 a publicação passou a chamar-se Gazeta Médica e tornou-se o órgão oficial da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Paraná, a mais antiga das agremiações de classe do Estado.

Elegeu-se deputado pela Assembleia Legislativa do Paraná nas legislaturas de 1900/1, 1904/5 e 1906/7.

Morreu no dia 9 de fevereiro de 1934 e deixou um filho médico, Oscar Alves de Araújo Espíndola, que seguiu a carreira militar e alcançou o generalato.

A primeira operação de catarata do Paraná foi feita em 1904, Dr. José Guedes de Mello, na Santa Casa. Vemos o operador, na cabeceira do paciente. À sua direita, João Evangelista Espíndola e, mais atrás, Miguel Severo Santiago. À esquerda, Victor do Amaral.


FBAM