Biografia de

Rodolpho Paciornik

      

Honorário

 

Rodolpho Paciornik nasceu no Rio Grande do Sul e fez toda a sua formação em Curitiba, desde o ensino fundamental até a graduação em Medicina, em 1939, em uma das primeiras turmas da Faculdade de Medicina da Universidade do Paraná (atual Universidade Federal do Paraná - UFPR).

A escolha pela Medicina não foi uma imposição, mas o desejo de seu pai de ter um filho médico. Rodolpho decidiu então que, como em tudo o que fazia, realizaria um curso bem-feito e honraria o Juramento de Hipócrates. Foi aluno estudioso e aplicado, cultivando amizades que manteve pelo resto da vida. 

Em 1940, ainda jovem e incerto quanto à especialidade, foi a São Paulo especializar-se em Ginecologia com o Prof. José Medina, no Serviço do Prof. Nicolau de Morais Barros, na Santa Casa de Misericórdia daquela cidade. Ao iniciar a prática profissional, descobriu sua vocação pela cirurgia do aparelho digestivo. Em 1947, realizou pós-graduação em Proctologia na Temple University Medical School, na Filadélfia, e no Mount Sinai Medical School and Hospital, em Nova York, ambas nos Estados Unidos da América. Em 1960, recebeu bolsa de estudos da Aliança Francesa para estudar no Hôpital de La Salpêtrière, em Paris, aprofundando-se na Proctologia.

Foi na Santa Casa de Misericórdia de Curitiba que encontrou sua plena realização profissional, atuando por 50 anos. Iniciou como estagiário do Dr. Mario Abreu, por quem nutria grande respeito e admiração, sentimentos que eram recíprocos. Lá lecionou Proctologia em aulas práticas para alunos da Faculdade de Medicina, muitos dos quais se tornaram grandes amigos e nunca se esqueceram de quão bom professor ele havia sido. Ainda em vida, recebeu uma emocionante homenagem dos colegas com a inauguração de uma sala batizada com seu nome.

Atuou por trinta anos como médico do então Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários - IAPC (atual Instituto Nacional do Seguro Social - INSS). Manteve consultório particular, onde atendia principalmente pacientes de baixa renda, movido mais pelo amor à profissão do que pela recompensa financeira. 

Estudioso e pesquisador nato, escreveu um dicionário médico publicado pela Editora Guanabara Koogan em 1969 (hoje na 3ª edição e esgotado). Essa foi sua grande paixão. Em tempos sem internet, dedicou as noites de dez anos para pesquisa e escrita em sua máquina de escrever elétrica IBM de esferas. Uniu o gosto por aprender à vontade de criar uma obra útil para estudantes de Medicina, médicos e interessados em geral. O dicionário, o primeiro no Brasil com essa característica, apresentava a definição em português e, em cada verbete, a equivalência em cinco idiomas: inglês, francês, espanhol, alemão e grego. Para o grego, era necessário trocar a esfera da máquina, pois os caracteres eram próprios do idioma. Tudo o que era escrito à noite era revisado no dia seguinte por uma professora de português. Contou especialmente com a colaboração do amigo Prof. José Luiz da Veiga Mercer e com sugestões de médicos amigos. Correspondia-se com dicionaristas, inclusive o conhecido Antônio Houaiss, a quem chegou a conhecer pessoalmente. Pelo dicionário, foi convidado a integrar a Academia Paranaense dos Escritores Médicos. Frequentava as reuniões com alegria, embora não se considerasse “escritor de verdade”.

Casou-se em Nova York, em 1948, com Beatriz Shafran. Em 1949 nasceu a filha Peggy e, em 1952, o filho Fernando, ambos muito ligados a ele, que fez do exercício da paternidade um propósito de vida. Difícil não gostar de Rodolpho, pela facilidade de se relacionar e pelo senso de humor.

Mesmo aposentado do serviço público, permaneceu na Santa Casa até seu falecimento, em 2010, cercado de médicos amigos que o visitavam diariamente. Um deles disse aos filhos: “Vou entrar sem jaleco porque estou entrando como amigo e não como médico”. No dia do falecimento, uma das irmãs religiosas mais antigas da instituição afirmou aos filhos: “Vocês não têm ideia do quanto seu pai foi um homem digno; atendia a todos com igual tratamento e carinho”.

Rodolpho Paciornik deixou uma vida dedicada ao conhecimento, à Medicina e às pessoas. Mais do que um excelente proctologista, legou integridade, curiosidade intelectual e generosidade no trato com pacientes, alunos, colegas e amigos. A combinação de competência técnica e profunda humanidade explica por que sua memória continua viva entre todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-lo.


*Informações prestadas por Peggy P. Distéfano e Fernando Paciornik em junho de 2026.


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