1908 1970
Patrono
Cadeira 25
Patrono: Joaquim de Matos Barreto
Joaquim de Matos Barreto, filho de Isaura Braga de Matos e de Aníbal Campos Barreto, nasceu em Curitiba, Paraná, no dia 24 de setembro de 1908.
Completou o curso primário no Grupo Escolar Xavier da Silva e o ginasial no internato do Ginásio Paranaense. Graduou-se na Faculdade de Medicina do Paraná em 1932 e obteve o grau de doutor com a tese Síndrome Êntero-Renal Colibacilar desenvolvida no Serviço de Urologia da Santa Casa de Misericórdia sob a orientação de Loureiro Fernandes e aprovada com distinção.
Iniciou a carreira em Marechal Mallet onde permaneceu por aproximadamente dois anos. Voltou para Curitiba em 1934, foi trabalhar na mina de ouro de Timbituva em Campo Largo e, a seguir, no Serviço de Urologia de Loureiro Fernandes, cuja influência levou Matos Barreto a exercer o magistério.
Começou a trabalhar na Faculdade de Medicina do Paraná como assistente da cadeira de Histologia e assumiu a regência da disciplina em 1940. Em 1941 prestou concurso para catedrático e foi brilhantemente aprovado defendendo a tese Hematias Grânulo-Filamentosas e Tireóide na Eritropoiese, trabalho que refletia os conhecimentos adquiridos no estágio de Hematologia feito com José Oria em São Paulo. Matos Barreto foi o primeiro médico a dedicar-se ao estudo específico das doenças do sangue no Paraná.
Além de reger as cadeiras de Histologia e Embriologia Geral nos cursos de Medicina e de Odontologia, assumiu a Secretaria da Faculdade de Medicina do Paraná. Em 1957, com a federalização da universidade, foi um dos primeiros professores a adotar o regime de tempo integral e dedicação exclusiva.
As preocupações espirituais e humanísticas de Matos Barreto ultrapassaram o ensino universitário. Desde os tempos em que praticava Medicina nas minas de ouro de Timbituva teve a atenção voltada para as condições de higiene e para os cuidados preventivos das doenças profissionais. Este interesse explica bem o trabalho que desenvolveu em 1952, no governo de Bento Munhoz da Rocha Neto, organizando a Fundação de Assistência ao Trabalhador Rural, instituição de grande alcance social.
Em 1954 deixou a Fundação e assumiu a Secretaria da Educação e Cultura, ainda na gestão de Munhoz da Rocha Neto, e em 1955 foi secretário de Saúde Pública do governo de Adolfo de Oliveira Franco. Profundamente religioso e católico praticante foi líder mariano no Paraná e participante do Movimento da Democracia Cristã, liderado pelo padre Lebret. Também fez parte do grupo de intelectuais que deu origem ao Círculo de Estudos Bandeirantes e à Faculdade Católica de Filosofia Ciências e Letras, posteriormente integrada à Universidade Federal do Paraná.

Joaquim de Matos Barreto foi o primeiro médico paranaense a se dedicar especialmente ao estudo das doenças do sangue. Tendo estagiado na Universidade de São Paulo com José Oria, instalou em Curitiba o primeiro consultório de Hematologia. Na fotografia vê-se Matos Barreto ao microscópio.