1934
Honorário
Zilda Arns Neumann, nascida em Forquilhinha, Santa Catarina, em 25 de agosto de 1934. Zilda era a décima segunda de treze filhos da tradicional família Arns, de origem alemã. Educada em valores sólidos de fé, solidariedade e compromisso social, desde a infância demonstrou sensibilidade para as questões humanitárias. Graduou-se em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 1959, especializando-se em pediatria e saúde pública.
Logo no início da carreira, percebeu que doenças como diarreia e desidratação, que lotavam os hospitais infantis e afetavam principalmente as camadas populares, poderiam ser prevenidas por meio de orientações simples e acessíveis, baseadas no conhecimento científico e na educação comunitária.
Servidora de carreira da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (SESA-PR), destacou-se ao coordenar, em 1980, a campanha de vacinação Sabin contra a poliomielite, cujo modelo eficiente foi adotado nacionalmente pelo Ministério da Saúde. Na sequência, assumiu a Diretoria de Saúde Materno-Infantil da SESA-PR, implantando programas inovadores de promoção da saúde, e atuou como Coordenadora Nacional de Saúde Materno-Infantil no Ministério da Saúde (1993-1995).
O marco de sua obra surgiu em 1983, quando, a convite da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fundou a Pastoral da Criança. A iniciativa visionária capacitava líderes comunitários voluntários para disseminar informações sobre saúde, nutrição e cuidados básicos às famílias. A promoção do soro caseiro e outras ações educativas foram decisivas para reduzir a mortalidade infantil em comunidades carentes. Iniciado em Florestópolis (PR), o programa expandiu-se para mais de 20 países, tornando-se um dos mais bem-sucedidos modelos comunitários de saúde do mundo.
Em 2004, ampliou seu legado ao fundar e coordenar a Pastoral da Pessoa Idosa, estendendo o cuidado aos idosos vulneráveis. Pelo impacto global de sua atuação, foi indicada três vezes ao Prêmio Nobel da Paz, reconhecimento que reflete a dimensão humanitária e científica de seu trabalho.
Casou-se com Aloísio Bruno Neumann, com quem teve seis filhos, tornando-se viúva em 1978. Apesar da perda, seguiu firme em sua missão, conciliando a maternidade com o serviço público.
Zilda faleceu em 12 de janeiro de 2010, em Porto Príncipe, no Haiti, durante uma missão humanitária para implantar a Pastoral da Criança naquele país, vítima do trágico terremoto que devastou a capital haitiana.
Dra. Zilda figura entre as personalidades mais notáveis da medicina e da saúde pública brasileiras. Sua trajetória revela uma vocação inequívoca para o cuidado e a proteção da vida, especialmente das crianças e dos mais vulneráveis, marcada pela união entre ciência, fé e solidariedade. Seu legado permanece vivo nas Pastorais que fundou e na inspiração que oferece a profissionais da saúde pública. Sua vida é testemunho do poder transformador da união entre ciência, fé e solidariedade, valores que continuam a guiar gerações de médicos e agentes comunitários na promoção da vida e da dignidade humana.