1844 1898
Patrono
Cadeira 34
Patrono: Manoel Pedro dos Santos Lima
Manoel Pedro dos Santos Lima, filho de Ana Messias Oliveira e de José Gaspar dos Santos Lima, nasceu na fazenda Santa Amélia, na Lapa, em 29 de junho de 1844. Passou parte da infância na terra natal e cursou o primário e o secundário em Minas Gerais e São Paulo, onde seu pai exerceu a magistratura. Em 1862 matriculou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Foi o segundo paranaense a matricular-se no curso médico, precedido apenas por outro lapeno, José Francisco Corrêa. Ainda acadêmico frequentou o Serviço de Clínica Médica do célebre mestre Torres Homem. Na época de estudante morou numa pensão da rua do Catete e fez amizade com duas figuras que se tornariam históricas no Paraná: Antônio Ernesto Gomes Carneiro e José Teixeira Mendes. Recebeu o grau de doutor em 27 de novembro de 1868 defendendo a tese Da Eclâmpsia Durante a Prenhez e o Parto.
Manoel Pedro voltou à Lapa já formado e no ambiente conservador e tradicionalista da pequena cidade de tropeiros e proprietários rurais amoldou-se perfeitamente como médico de família e intelectual e, numa época em que as especialidades não haviam se estabelecido ainda na Medicina, interessou-se especialmente por moléstias do coração e por doenças infecciosas, em particular pela febre tifoide que era endêmica na cidade.
A extrema bondade, o fato de ser o único médico na cidade e de mostrar incansável dedicação a todos os doentes transformaram-no numa das figuras centrais da comunidade.
Deixou poucos trabalhos escritos e alguns se perderam. Cultivava o hábito de estudar e mantinha-se sempre atualizado. Recebia e fazia anotações nas revistas médicas estrangeiras e, por correspondência, trocava informações sobre doenças infecciosas com Louis Pasteur.
Vinte anos depois de Manoel Pedro ter iniciado a carreira na Lapa, lá se estabeleceu João Cândido Ferreira e a ele se deve o testemunho da vida profissional do colega e amigo mais velho. Entre eles firmou-se harmoniosa convivência de admiração e respeito mútuos, apesar das posições políticas antagônicas.
Embora a atividade médica de Manoel Pedro fosse absorvente e exaustiva, ele encontrou tempo para lecionar História Universal, Botânica, Inglês, Francês, Latim e Música na escola da cidade e para alunos particulares. Interessava-se também por Ciências Naturais e deixou valiosas anotações termométricas e meteorológicas, feitas à mão diariamente de 1888 a 1898, às quais acrescentou notícias sobre acontecimentos locais. Cem anos mais tarde as anotações foram intituladas O Tempo no Tempo e publicadas.
Manoel Pedro apoiou as forças revolucionárias federalistas na época da invasão do Paraná e foi preso e recolhido à Câmara Municipal durante o sítio da Lapa. A resistência lapeana deu condições às forças legalistas de readquirirem o domínio do Estado, mas seguiu-se um período de perseguições, julgamentos sem processo e execuções sumárias e ele procurou refúgio fora da cidade. No final desse triste período voltou à Lapa politicamente derrotado, porém com a honra e a honestidade reconhecidas.
Poucos anos lhe restavam de vida e segundo João Cândido, então médico assistente de Manoel Pedro, ele adquiriu a moléstia que o vitimou no exercício da profissão. Tratando de uma doente pobre e luética, em pleno período contagiante, feriu-se no dedo e por aí entrou o germe infectante que não lhe respeitou o coração.
Morreu no dia 1º de setembro de 1898, aos cinquenta e quatro anos de idade. A população da Lapa, por subscrição, mandou erguer no cemitério municipal um austero mausoléu com o busto em mármore branco de Manoel Pedro encimado pela estátua da Caridade, virtude que o caracterizou em vida.
Deixou um filho médico, Eduardo Santos Lima. Seus descendentes, muitos deles médicos, instituíram a Fundação Santos Lima destinada à preservação da memória médica do Paraná.
Retrato a óleo de Manoel Pedro Santos Lima no antigo museu David Carneiro, em Curtiba.
Diploma de doutor conferido em 20 de maio de 1880 a Manoel Pedro Santos Lima pelo diretor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, Visconde de Santa Isabel.