Biografia de

Miguel Isaacson

  1894         1963

Patrono

  Cadeira 38

  Patrono: Miguel Isaacson

 

Miguel Isaacson, filho de Luiza Augusta Leite e Eduardo Isaacson, nasceu em Mendes, Rio de Janeiro, no dia 19 de março de 1894.

Em 1911, após completar o curso secundário no Colégio Abílio em Niterói, matriculou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Formou-se em 1915 e obteve o grau de doutor com a tese Raquianalgesia, aprovada com distinção.

Em 1916, a convite do colega Ubaldo Cardoso da Veiga fixou residência em Antonina, no Paraná. Na cidade capelista conquistou numerosa clientela e também atendia com grande zelo pacientes das vizinhas Morretes, Porto de Cima e Paranaguá. Durante a epidemia de gripe espanhola em 1918 desdobrou-se como o único médico de Antonina, tendo sido ele mesmo vítima do temível vírus.

Em 1920 mudou-se para Curitiba e em 1923 integrou-se no Corpo Clínico da Santa Casa. Substituiu Reinaldo Machado na cadeira de Clínica Ginecológica da Faculdade de Medicina e mais tarde tornou-se catedrático efetivo da disciplina.

Em 1925, com a posição consolidada no meio médico curitibano, viajou à França e fez vários cursos na Universidade de Paris e nos Hospitais Cochin, Broca, Saint Antoine e Necker.

De volta a Curitiba participou da comissão de obras da maternidade da Faculdade de Medicina que Victor do Amaral estava construindo. Em 1929 voltou à Europa para tratar da aquisição do equipamento do novo hospital. Da Alemanha trouxe a vacina Friedmann, então em destaque na prevenção e tratamento da tuberculose. Interessava-se particularmente pela doença com a qual dizia ter contas a acertar já que a tísica lhe roubara uma irmã muito querida em plena juventude. Contribuiu na divulgação de medidas preventivas da doença e trabalhou auxiliando Pedro Xavier Gonçalves, diretor do Sanatório São Sebastião, na Lapa.

Em 1930 foi inaugurada a Maternidade Victor do Amaral e Miguel Isaacson passou a ser chefe do Serviço de Cirurgia do Hospital.

Durante a revolução constitucionalista serviu no fronte das forças legalistas em Itararé como tenente-coronel. Com ele serviram Francisco Franco, Eugenio Lopes, Victor do Amaral Filho, Atlântido Borba Cortes e Celso Valério, médicos curitibanos e companheiros de faculdade.

Em 1934, junto com João Cândido Ferreira, Victor do Amaral e Virmond Lima, ajudou a organizar a Liga Paranaense Contra o Câncer.

Durante quarenta anos foi líder da especialidade a que se dedicou e desempenhou com equilíbrio e espírito de justiça a cátedra da Faculdade de Medicina na Santa Casa de Misericórdia chefiando as enfermarias Santa Ana e Santa Rosa. Embora a Ginecologia fosse cadeira de apenas um semestre e Isaacson atuasse com rigor no cumprimento do programa, ele era muito querido pelos alunos. Já enfermo, licenciou-se em 1960 e aposentou-se no ano seguinte.

De temperamento voluntarioso, a franqueza e lealdade o faziam respeitado e estimado na classe médica e elegeu-se presidente de três entidades de classe. Em 1931 presidiu o Sindicato Médico do Paraná; em 1932, a Sociedade Médica dos Hospitais, que ajudara a fundar dois anos antes. Foi ainda um dos fundadores da Associação Médica do Paraná em 1934, resultado da fusão das duas agremiações acima citadas com a antiga Sociedade de Medicina do Paraná. Na Associação foi vice-presidente da segunda diretoria em 1934/35 e presidente nos biênios de 1936/37 e 1938/39.

Miguel Isaacson também atendia a numerosa clientela na Casa de Saúde São Vicente, fundada por um grupo médico liderado por ele, Virmond Lima, Milton Munhoz e João Vieira de Alencar.

Morreu no dia 11 de dezembro de 1963.

Doutorandos da turma de 1954 da Faculdade de Medicina da Universidade do Paraná, à frente da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba. Sentados, da esquerda para a direita, os professores Domicio Pereira da Costa, Octavio Silveira, Miguel Isaacson, Alô Guimarães, Victor do Amaral Filho e Arnaldo Moura.

FBAM