Biografia de

Milton Erichsen Carneiro

  1902         1975

Patrono

  Cadeira 39

  Patrono: Milton Erichsen Carneiro

 

Milton Erichsen Carneiro, filho de Francisca Henriquieta Erichsen e de Abdon Petit dos Guimarães Carneiro, nasceu em Paranaguá, Paraná, no dia 16 de outubro de 1902. Pouco depois do nascimento de Milton, a família Carneiro mudou-se para Ponta Grossa e em 1911, para Curitiba. Seu pai foi professor da Faculdade de Medicina e um dos fundadores, e esteios na fase difícil dos primeiros anos de funcionamento da Universidade do Paraná.

Milton Carneiro cursou o secundário no Ginásio Paranaense e em 1918 ingressou na Faculdade de Medicina do Paraná. Em 1922 transferiu-se para a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e graduou-se em 1923.

Por dois anos experimentou a vida de médico rural clinicando nas pequenas Munhuaçu e Carangola, em Minas Gerais. Em 1926 voltou para Curitiba e com as teses Conceito Atual de Vida e Base Paleontológica da Doutrina Transformista conquistou a regência da cadeira de Biologia Geral e Parasitologia da Faculdade de Medicina do Paraná. Em 1931, com a reforma do ensino superior a cadeira passou a ser só de Parasitologia. Em 1933 assumiu a cátedra de Zoo-parasitologia do curso de Farmácia, que fazia parte da Faculdade de Medicina e estagiou no Instituto Oswaldo Cruz em Manguinhos, onde estabeleceu relação com diversos pesquisadores.

Ensinou Parasitologia nos cursos de Medicina e Farmácia de 1926 a 1961 e, embora rigoroso nos exames e intransigente reprovador, conquistou a admiração e a estima dos alunos graças à capacidade de comunicação, à intuitiva técnica pedagógica para transmitir os temas áridos da disciplina e ao convívio pessoal que com eles mantinha. A provinciana Curitiba da primeira metade do século XX ainda cultivava o hábito das rodas de conversa nos cafés da cidade, frequentadas por intelectuais, professores, jornalistas e estudantes. Nessas rodas Milton Carneiro pontificava com outros professores da universidade, entre eles Bento Munhoz da Rocha Neto, Homero Braga, João Xavier Vianna e Dirceu Lacerda.

Fez parte do grupo que fundou a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Paraná em 1938 e assumiu a regência da cadeira de Psicologia Genética, mas logo se transferiu para a de História da Filosofia. Eleito paraninfo da turma de médicos de 1933 redigiu o famoso Discurso do Bugre, peça oratória que revela muito de sua personalidade e do julgamento finamente irônico que fazia dos homens.

Teve intensa participação na vida intelectual da cidade. Tomou parte em vários movimentos literários, foi jornalista do jornal Gazeta do Povo e membro do Círculo de Estudos Bandeirantes. No Centro de Letras do Paraná foi o primeiro Titular da cadeira 21, cujo patrono é João Evangelista Espíndola. Deixou várias obras literárias, entre elas Eles Vivem em Mim; Procissão de Eus; Sou; Jogo da Vida; História da Doença de Chagas; Cormorant; o Tráfico e os Ingleses; Leo Cobbe; Tricentenário de Paranaguá e Uma Vida Autêntica.

Exerceu a chefia da Casa Civil no governo de Bento Munhoz da Rocha Neto em 1951.

Morreu no dia 22 de fevereiro de 1975. Deixou um filho médico, Milton Carneiro Filho, professor de Parasitologia na Universidade Federal do Paraná, na Pontifícia Universidade Católica do Paraná e na Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná.

Milton Erichsen Carneiro, pertenceu a um grupo de intelectuais ligados à Universidade do Paraná e à Faculdade de Filosofia Ciências e Letras. Com a chegada deste grupo ao poder político estadual, na década de 1950, desempenhou função pública de relevo. Na fotografia vê-se Milton Carneiro, à sua esquerda em companhia dos correligionários João Xavier Vianna, Ney Braga e Juvencio Soares da Silva.



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