Biografia de

Nilo Cairo da Silva

  1874         1928

Patrono

  Cadeira 43

  Patrono: Nilo Cairo da Silva

 

Nilo Cairo da Silva, filho de Alzira Paula da Costa Lobo e de Simplício Manoel da Silva Junior, nasceu em Paranaguá, Paraná, no dia 12 de novembro de 1874. Completou a educação fundamental na cidade natal e no Rio Grande do Sul e em 1891, aos dezessete anos, ingressou na Escola Militar da Praia Vermelha. Completou o curso de Armas e o de Engenharia Militar, garantindo o grau de bacharel em Ciências Físicas e Matemáticas. Em 1893 foi publicado o manifesto revolucionário do Almirante Saldanha da Gama e Nilo Cairo apresentou-se como voluntário. Serviu de setembro de 1893 a março de 1894 e, ainda como voluntário, serviu na guarnição da esquadra do Almirante Jerônimo Gonçalves. Em novembro de 1894 foi promovido a segundo-tenente de artilharia e em agosto de 1899 a primeiro-tenente.

Recebeu o grau de doutor na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1903. A tese de doutoramento que apresentou à Faculdade intitulava-se Similia Similibus Curantur foi recusada. Diante disso, para formalizar sua graduação Nilo apresentou uma segunda tese: O Pé Equino.

Casou-se no Rio de Janeiro com Dagmar de Oliveira Coelho, morta ao dar a luz ao primeiro filho, cuja vida também foi curta.

Nilo Cairo continuou no serviço ativo do Exército e em 1904 a explosão de uma peça de artilharia lesou seus tímpanos, causando surdez completa. Por esta razão reformou-se no posto de major.

Em Curitiba casou-se com Leonor Lopes, neta de Cândido Martins Lopes, o primeiro jornalista do Paraná. O casal teve de se mudar para Palmeira em busca do ar puro, superalimentação e repouso, recursos da época para tratar a tísica pulmonar que acometera Leonor, mas voltaram para Curitiba assim que a saúde dela melhorou.

Na capital paranaense Nilo Cairo tinha um certo renome, pois fundara com o farmacêutico Domingos Duarte Velloso a Revista Homeopática do Paraná que circulou durante sete anos. Logo que se estabeleceu na cidade, integrou-se ao grupo que articulava a criação da Universidade do Paraná.

David Carneiro assim descreveu o papel por ele desempenhado como secretário-geral: Nilo Cairo foi o elemento dinâmico a angariar pessoas convenientes e capazes para as funções e para as cátedras. Empurrava todos os assuntos que caiam em inércia ou os que não haviam saído de situação letárgica, determinando previamente os acontecimentos em animada atividade, a provocar as convergências. Vez por outra, entretanto, surgiam resistências passivas, invejas, e as coisas não andavam sem que fossem desmascaradas com a valentia que caracterizava o desassombrado Nilo.

A situação de oficial reformado e as ligações com os antigos colegas deram-lhe a oportunidade de contatar elementos valiosos para a formação do corpo docente da Universidade. Na constituição das Congregações, Nilo Cairo foi indicado para a cadeira de Homeopatia e Terapêutica Homeopática e para a de Clínica Homeopática, ambas no 5º ano, mas as disciplinas não foram ensinadas. Em 1914 começou a funcionar o curso de Medicina e Nilo Cairo regeu a cadeira de Patologia Geral de 1915 a 1917. No curso de Odontologia, que entrara em funcionamento em 1913, exerceu as cátedras de Fisiologia, Patologia Geral e Anatomia Patológica.

Sua produção científica foi prolífica. Logo que chegou a Curitiba, em 1906, fundou, juntamente com o farmacêutico Duarte Velloso, a Revista Homeopática do Paraná, que depois passou a denominar-se Revista Homeopática Brazileira.. Anteriormente havia publicado em A Notícia, do Rio de Janeiro uma série de 26 artigos, de grande repercussão, sobre homeopatia. Entre suas publicações destacam-se: Os Antimoniais na Terapêutica Oficial (1904), A Cantárida na Terapêutica Oficial (1904), Tratamento Homeopático da Influenza (1907), Tratamento Homeopático das Moléstias Tropicais (1909), Guia de Medicina Homeopática, que alcançou várias edições, O Dr. Huchard e a Homeopatia (1910), Lachesis Mutus (Matière Médicale et Thérapeutique, 1910) e os artigos Crotalus Terrificus, Lachesis Lanceolatus e Elaps Coralinus, aparecidos no The Hahnemannian Monthly, de 1910. Ainda em 1910 publicou A febre Amarela e seu Tratamento Homeopático, em 1917 o Tratamento Homeopático das Diarréias Infantis, em 1920 A Cultura da Terra, e em 1922 o Guia Prático da Cultura do Fumo.

Dada a carência de livros de texto em língua portuguesa para o estudo das cadeiras que lecionava, em 1916 publicou Elementos de Physiologia e Elementos de Patologia Geral.

Como engenheiro militar regeu as cadeiras de Geologia e Mineralogia no curso de Engenharia. Organizou os cursos preparatórios da Universidade, ensinando várias matérias e encarregando-se dos exames dos alunos e de profissionais estrangeiros na revalidação de diplomas.

No princípio de 1917 tomou a drástica decisão de afastar-se da Universidade, deixar o Paraná e ir para Mogi das Cruzes, em São Paulo. Com a inquietude intelectual de sempre, voltou aos bancos acadêmicos para estudar Agronomia. Dedicou-se ao cultivo do solo e foi, então que escreveu A Cultura da Terra e o Guia Prático da Cultura do Fumo.

Em Curitiba Victor do Amaral continuava o pertinaz trabalho à frente da Universidade sem esquecer a contribuição de Nilo Cairo. No dia 19 de agosto de 1921 inaugurou uma herma do amigo no saguão do prédio da Universidade do Paraná, na Praça Santos Andrade.

Os vínculos com a Universidade que ajudara a criar não desapareceram nos anos bucólicos de Mogi das Cruzes e em 1922 Nilo Cairo retornou a Curitiba e ao trabalho na Faculdade de Medicina. Aliciou professores e alunos e reeditou as obras didáticas publicadas em 1916. Em 1923 reassumiu as cadeiras de Patologia Geral e de Fisiologia. O ano de 1925 foi o último em que ensinou na Faculdade. Com a saúde precária ele procurou em Paranaguá levar uma vida mais tranquila e favorável à recuperação, mas o agravamento dos problemas gástricos levaram-no a procurar recurso cirúrgico no Rio de Janeiro. Morreu após a intervenção, no dia 6 de junho de1928, e foi enterrado em Paranaguá, sua terra natal.

Exemplar da primeira edição da obra Elementos de Physiologia, publicada em Curitiba em 1916.


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