Szymon Kossobudzki, filho de Cecylia Trzcinski e de Ludowik Kossobudzki, nasceu no dia 28 de outubro de 1869 em Plock, província da Mazóvia, na Polônia. A família pertencia à aristocracia rural polonesa e Szymon passou a infância no patrimônio dos avós entre Góslice e Plock, em cujo liceu cursou o primário. Aos doze anos mudou-se para a capital e estudou no Ginásio Varsoviano. Nessa época surgiram os primeiros sinais da rebeldia do adolescente contra a política oficial de russificação das escolas. Ainda assim concluiu o ginásio e assegurou a matrícula no curso de Medicina da Universidade Imperial Russa de Varsóvia.
Em 1894, no 4º ano da Faculdade, elegeu-se presidente da Associação Estudantil Auxílio Fraterno. Envolvido na política estudantil rebelde à ocupação russa e implicado na redação e distribuição de um manifesto comemorativo do Levante de Varsóvia em 1774, foi desligado da Universidade e encarcerado na fortaleza de Paviak, cujas ruínas no centro de Varsóvia são um sombrio memorial das atrocidades nazistas na Segunda Guerra Mundial. Cumpriu três meses da sentença no cárcere e cinco anos de desterro na cidade de Perm, província oriental de Orel, no ImpériomRusso. Apesar da situação de exilado político, permitiram-lhe prestar os exames para obtenção do título de doutor na Universidade de Kazan, capital da Tartária. Recebeu o diploma de medicus cum eximia laude em 30 de setembro de 1895.
Não podendo regressar à Polônia, pois devia completar o período de exílio, foi mandado a Lipovka para dirigir um pequeno hospital rural. Passou três anos no “ambiente triste e depressivo” que, segundo Checov, era próprio dos hospitais russos. Em setembro de 1899, com trinta anos, voltou a Varsóvia e ligou-se à Faculdade de Medicina da Universidade Imperial como assistente do professor Maksimow. No Hospital Menino Jesus, trabalhou no Serviço Cirúrgico do professor Sawicki, dirigiu a enfermaria São Roque e, depois, o hospital.
De 1901 a 1907 chefiou a Clínica Cirúrgica da Universidade de Varsóvia, mas desejoso de ampliar os horizontes profissionais, foi estudar em Cracóvia, Praga, Breslau, Paris, Berlim e Stuttgart. Ao voltar associou-se a outros colegas para fundar o Instituto Ômega de Cirurgia Experimental e a publicação de muitos trabalhos em polonês, tcheco e russo atestam o alto grau de atividade científica de Kossobudzki na Instituição.
Contudo, as ideias políticas e nacionalistas não estavam adormecidas. Nos hospitais, lutava pela introdução da língua vernácula nos prontuários e receitas, contrariando as normas das autoridades russas de ocupação, e em 1900 filiou-se ao Partido Socialista de Josef Pilsudzki. Havia choques entre a resistência polonesa e os russos e Kossobudzki comprometeu- se com os nacionalistas, prestando assistência médica aos feridos. Nesse período o primeiro casamento havia se desfeito e ele se uniu à jovem militante socialista Halina Cierpkowska. Por ocasião de um fracassado atentado contra a vida do czar em Varsóvia, a repressão tornou-se rigorosa e, com a prisão de Pilsudzki e outros líderes nacionalistas, Szymon viu-se em perigo e, com trinta e oito anos, encontrou ânimo e expatriou-se novamente. Veio então, com Halina, para o Brasil, onde seu parente Witold Roguski trabalhava como engenheiro na ferrovia Curitiba - Guarapuava.
Chegou no Brasil em março de 1907 e fixou residência em São Mateus do Sul, no Paraná, a convite do farmacêutico da localidade. Bem sucedido na prática médica, tornou-se figura de destaque na colônia polonesa a despeito da posição anticlerical numa comunidade profundamente católica. Travou relações com Francesco Burzio, médico italiano que exercia medicina na cidade vizinha, e em 1911 quando Burzio foi à Itália, Kossobudzki substituiu-o em Ponta Grossa. Em 1912, fundada a Universidade do Paraná, ele vislumbrou a possibilidade de reiniciar a carreira acadêmica que o exílio interrompera e mudou-se para Curitiba. Instalou um consultório junto com Menezes Dória e em 1916 abriu uma Casa de Saúde particular, à rua Vicente Machado. No estabelecimento a atividade cirúrgica era intensa e variada e assim permaneceu até o fechamento por ocasião da volta de Szymon à Polônia, ao término da Primeira Guerra Mundial.
Atuou com brilhantismo na Universidade do Paraná e em 1913 passou a fazer parte do Corpo Clínico da Santa Casa de Misericórdia, quando o chefe do Serviço Cirúrgico era Joaquim Pinto Rebello. Trabalhou na enfermaria São Roque, por coincidência o mesmo patrono da enfermaria do Hospital Menino Jesus de Varsóvia. Em 1916, ao se iniciar o ensino de Clínica Cirúrgica da Faculdade de Medicina, foi dada a ele a incumbência. Começou a lecionar, mas apenas em 1918, com o diploma revalidado, foi nomeado catedrático. Szymon pode, portanto, ser considerado o patrono do ensino da Cirurgia na Universidade do Paraná.
Em 1933, foi um dos sócios fundadores da Associação Médica do Paraná e das agremiações que lhe deram origem. Destacou-se em apresentações nas reuniões científicas dessas entidades e publicou algumas dezenas de trabalhos em português nas revistas especializadas brasileiras.
Embora envolvido em intensa atividade na Santa Casa e na Casa de Saúde que fundara, Kossobudzki nunca se alheou da vida da comunidade polonesa e tampouco dos acontecimentos políticos mundiais. Militou permanentemente na imprensa da colônia polonesa e, sempre combativo na defesa de suas ideias, redigiu vários periódicos em polonês, nos quais manteve inúmeras polêmicas anticlericais. Kossobudzki e a esposa Halina foram cultores do teatro. Ele atuou como ator e escreveu peças e poesias. Pertenceu à maçonaria e em 1927 recebeu o brevê de Cavalheiro Rosa Cruz 18.
Durante a Primeira Guerra Mundial desencadeou-se uma campanha de nacionalização das escolas primárias no sul do país proibindo o uso da língua polonesa, contra o que Kossodudzki manifestou-se na imprensa; parecendo reviver as lutas travadas na juventude em defesa da preservação da língua pátria nos prontuários médicos de Varsóvia.
A guerra na Europa previa modificações na geografia política do continente e reavivava a expectativa de restauração da Polônia. Nessa época Szymon foi eleito presidente da União dos Democratas Poloneses da América do Sul e, com o tratado de Versalhes, a restauração de seu país reacendeu nele a esperança de ter na Polônia uma vida digna. Em 1922 licenciou- se da Universidade do Paraná e seguiu com a família para Varsóvia, mas a situação econômica instável e inflacionária tornou inviável a sua permanência lá. Voltou ao Brasil e reassumiu a rotina profissional.
Em 1933 apareceram os primeiros sintomas gástricos iniludíveis do câncer que o levaria em vão a São Paulo na esperança de tratamento cirúrgico. Seis meses depois, no dia 8 de julho de 1934, morreu em Curitiba.
Deixou dois filhos médicos-cirurgiões, Simão Luty e Adam Polan.
Por sua formação acadêmica e dedicação ao ensino da Cirurgia, Szymon Kossobudzki é considerado seu patrono no Paraná. Na fotografia, feita na década de 1930 na Santa Casa de Curitiba vê- se Kossobudzki executando um ato cirúrgico.