Biografia de

Lysandro de Paula Santos Lima

  1906         1982

Patrono

  Cadeira 58

  Patrono: Lysandro de Paula Santos Lima

 

Lysandro de Paula Santos Lima nasceu em Rio Negro, Paraná, em 18 de julho de 1906. Pertenceu a uma família que se tornou tradicional na região da Vila do Príncipe, na antiga 5ª Comarca da Província de São Paulo. Seu bisavô, o magistrado José Gaspar dos Santos Lima, e sua mulher Ana Messias de Oliveira Lima em 29 de junho de 1843, na Fazenda Santa Amélia, na Lapa, viram nascer o filho Manoel Pedro. Manoel Pedro que seria, na expressão de seu ilustre colega e conterrâneo João Cândido Ferreira, o maior vulto da Medicina paranaense.

Manoel Pedro casou-se com a lapeana Maria Clara Oliveira. Entre seus oito filhos estava Conradino dos Santos Lima. Conradino foi boticário na Lapa. De seu casamento com Maria Joaquina de Paula houve oito filhos, entre os quais o primogênito Lysandro de Paula Santos Lima.

A educação fundamental de Lysandro foi realizada em sua cidade natal de Rio Negro, onde desfrutou de um ambiente familiar no qual a reverência à figura do avô Manoel Pedro incutia elevada concepção ética e respeito à profissão médica, o que conservou por toda vida. Aos doze anos foi para São Paulo cursar os preparatórios ao curso superior.

A busca do ensino superior o trouxe a Curitiba, em 1924, quando se matriculou na Faculdade de Medicina do Paraná. Durante os três primeiros anos do curso foi discípulo de alguns dos fundadores da Faculdade, que lhe despertaram admiração, como Nilo Cairo, Octavio da Silveira, Petit Carneiro e Francisco Franco. Em Rio Negro, durante as férias escolares, travou os primeiros contatos com doentes nas enfermarias do Hospital Bom Jesus, sob orientação do Dr. Manoel Pereira da Cunha.

Em 1927, atraído pela reputação do ensino na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, na Praia Vermelha, para ela se transferiu. Pôde, então, auferir os ensinamentos e frequentar Serviços hospitalares e ambulatoriais chefiados por mestres renomados como Miguel Couto, de Clínica Médica, Augusto Paulino, de Clínica Cirúrgica, Pinheiro Guimarães, de Patologia Geral, Leitão da Cunha, de Anatomia Patológica, e Aloysio de Castro, de Clínica Médica, cujo assistente Eugenio Coutinho foi orientador de sua tese de doutoramento. Quando terminou o curso não era mais exigida a defesa de tese, mas Lysandro, em 26 de outubro submeteu à Congregação a dissertação Tuberculose e Gangrena Pulmonar, defendida em 19 de dezembro de 1929, sendo aprovado com distinção. Logo após ter recebido o grau de doutor em Medicina, em 28 de dezembro de 1929, Lysandro voltou a Rio Negro para iniciar sua vida profissional. Já durante o curso costumava passar as férias escolares preparando sua formação médica da melhor forma possível, tendo como tutor o notável clínico Manoel Pereira da Cunha, seu mestre inexcedível, cuja memória haveria de, no futuro, reverenciar.

O começo de sua vida médica coincidiu com grandes avanços na terapêutica medicamentosa, que afetaram de perto a prática cotidiana do clínico das pequenas cidades, permitindo curas antes impossíveis. Durante 15 anos viveu em Rio Negro onde, como escreveu mais tarde, conheceu o desalento das batalhas perdidas, mas também, o bafejo da gloria obscura das grandes satisfações compensadoras do sucesso. Exerceu a Medicina em sua integralidade, no consultório, na Maternidade, cuja direção exerceu, bem como no Hospital Bom Jesus, que fazia de Rio Negro um centro médico de referência para toda a região, cuja direção também teve que assumir. Foi um longo período de extenuante rotina, uma rotina de fazer as coisas bem, como escreveu Manoel Pereira da Cunha.

A necessidade de oferecer melhores condições educacionais aos filhos fez com que se transferisse para Curitiba, em 1945. A experiência ganha com o exercício da medicina integral numa pequena cidade e a rotina de estudo e atualização que sempre manteve faziam-lhe capacitado a triunfar na capital e seguir carreira no ensino médico, como sempre desejou.

Aqui, instalou consultório e iniciou a prática, dedicando-se à Clínica Médica. Aproximou-se da Faculdade de Medicina da Universidade do Paraná. Encontrou, de início, alguma dificuldade de acesso às enfermarias da Santa Casa, onde se dava o ensino clínico. Em 1948 foi admitido no corpo docente como assistente de Terapêutica, por indicação do catedrático Aluizio França.

Em 1950 defendeu tese de livre-docência em Clínica Médica, com o título Formas Atípicas da Moléstia Reumática. De 1951 a 1954 exerceu o cargo de catedrático-interino da cadeira de Clínica Médica.

Nesta época o ensino das cadeiras de Clínica Médica na Faculdade de Medicina era disperso, sendo as aulas teóricas e práticas ministradas na Santa Casa, no Hospital Nossa Senhora das Graças e no Hospital Militar. Esta situação se manteve até 1961, quando se inaugurou o Hospital de Clínicas e se fundou o Departamento de Clínica Médica, reunindo todas as cadeiras de Medicina Interna.

Em 1953 Lysandro foi indicado para a chefia do Departamento do Hospital Nossa Senhora das Graças. Ali passou a exercer suas funções docentes no curso de Medicina. Criou uma verdadeira escola, e aplicou suas ideias sobre a formação integral do internista aos residentes e a estudantes das três Faculdades de Medicina que havia na cidade.

Com a centralização do ensino de Clínica Médica no Hospital de Clínicas criaram-se dificuldades para suas atividades de livre-docente. Em 1965 foi transferido para a cadeira de Tisiologia, cátedra regida pelo prof. João Ernani Bettega, sediada no Sanatório Médico-Cirúrgico do Portão. Em 1973 passou a exercer a chefia do Corpo Clínico do Hospital de Clínicas da Universidade do Paraná, na qual permaneceu até 1976, ano de sua aposentadoria. Muito ligado ao Prof. Newton Freire-Maia, foi professor colaborador do curso de Genética da Universidade Federal do Paraná, de 1969 a 1976.

O que caracterizou os trabalhos publicados e as inúmeras participações em congressos, simpósios, cursos, conferências e outros eventos médicos foi a finalidade didática que a eles imprimia. Tinha obsessão de ensinar e muitos dos estudantes tornaram-se seus verdadeiros discípulos.

Além de suas duas teses, a de doutoramento e a de livre-docência, ressalta a publicação Dados Sobre a Endemia Listeriósica no Paraná, a propósito do diagnóstico clínico e laboratorial de infecção de um grupo de residentes no município de Palmital, no interior do Estado, em julho de 1967. O trabalho teve o mérito do ineditismo e pelo fato de ter sido executado em campo com o concurso de um grupo de acadêmicos de Medicina de seu Serviço no Hospital Nossa Senhora das Graças e do bacteriologista Nelson Peixoto de Castro. Serve de exemplo de como concebia o ensino, unindo mestres e alunos na procura da solução de problemas médicos.

Igualmente merece destaque a publicação Manual de Diabete, de 1982. Resultou do aprimoramento de apontamentos de aulas, sob forma inicial de apostilha. Embora os conhecimentos sobre a doença tenham sido transformados nos anos subsequentes, muito útil foi à sua época como orientação prática de estudantes e médicos, particularmente na dietética

Lysandro Santos Lima faleceu em 12 de junho de 1982, aos 75 anos de idade. Deixou um filho médico, Sergio Santos Lima, radiologista, radicado em São Paulo.

Lysandro Santos Lima, à esquerda, abraça seu velho amigo e mestre Manoel Pereira da Cunha.


FBAM