Biografia de

Atlântido Borba Côrtes

  1911         2015

Membro Titular

  Cadeira 06 - 1º Titular - Acadêmico Fundador

  Patrono: Aramis Taborda de Atahyde

Posse: 22/06/1979

 

Atlântido Borba Côrtes, nascido em 22 de outubro de 1911, em Curitiba, Paraná, filho de Joaquim de Siqueira Cortes e Helena Borba Cortes, descendia de linhagens tradicionais do Paraná, incluindo, pelo lado materno, o bandeirante Borba Gato e seus sucessores, e, pelo lado paterno, exploradores que contribuíram para a conquista do território paranaense e a descoberta dos Campos de Palmas. Casou-se com Maria Constantina Faria Cortes, de tradicional família paranaense.

Cursou o ensino fundamental I (primário) no Grupo Escolar Xavier Silva e concluiu os estudos fundamental II e médio (secundários) no Colégio Prof. Duílio Calderari e no Ginásio Paranaense. Optou pela medicina, assim como seu irmão Helenton, apesar da forte influência militar e política de sua família. Para custear a Faculdade de Medicina do Paraná (atual Universidade Federal do Paraná - UFPR, então privada), trabalhou como auxiliar acadêmico na Saúde Pública e estagiou na Santa Casa de Misericórdia de Curitiba. Graduou-se em 1934, em cerimônia no antigo Teatro Guaíra, na Rua Dr. Muricy.

No mesmo ano, sob o governo de Manoel Ribas, foi aprovado em primeiro lugar no concurso para o Departamento de Radiologia e Dispensário Antituberculose do Estado, marco considerado a primeira nomeação por concurso na Saúde Pública do Paraná. Insatisfeito com a radiologia, prestou concurso para o Exército em 1936, no Rio de Janeiro, sendo aprovado como Médico Militar. Retornou a Curitiba, servindo como 1º Tenente Médico no Bacacheri e no Hospital Militar Divisionário.

Convidado pelo Prof. Aramis Athayde, tornou-se assistente da cadeira de Clínica Propedêutica Médica na Faculdade de Medicina do Paraná, obtendo a Livre-Docência por concurso. Dedicou-se ao ensino, deslocando-se três vezes por semana do Quartel do Bacacheri à Santa Casa de Misericórdia, no centro de Curitiba, para ministrar aulas, custeando o transporte com recursos próprios. Em 1941, foi nomeado Professor Interino de Clínica Propedêutica Médica e, em 1948, da Clínica Médica do 6º ano na Universidade do Paraná já restaurada. Em 1949, aos 38 anos, venceu concurso para a cátedra de Clínica Médica, com a tese “Alguns Aspectos do Bócio Endêmico”, ocupando a vaga deixada pelo falecimento do Prof. João Cândido Ferreira, às vésperas da federalização da Universidade.

Antecipando a reforma universitária, fundou, com os Profs. Orlando de Oliveira Mello e Heleno da Silveira, o Departamento de Clínica Médica da UFPR. Como chefe do corpo clínico do Hospital de Clinicas da UFPR, implementou a residência médica com dedicação exclusiva. Em 1961, criou a Unidade de Endocrinologia e Metabologia, referência na formação de endocrinologistas no Paraná e em outros estados. Nomeado por decreto presidencial, dirigiu a Faculdade de Medicina da UFPR (1971–1975) e foi Vice-Reitor (1972–1973) durante a gestão do Reitor Algacir Mader, por ser o membro mais antigo do Conselho Universitário. Exerceu todos os cargos do magistério superior, sendo agraciado com o título de Professor Emérito da UFPR.

No exterior, estagiou na Clínica Joslin, em Boston, referência mundial em diabetes, convivendo com seu fundador, Elliot P. Joslin, e na Clínica de Tireoide do Massachusetts General Hospital, em Boston, EUA. Publicou diversos trabalhos científicos, destacando-se “Novo Teste para o Controle da Diabete Mellitus”. Como membro da Sociedade de Médicos Escritores, escreveu o Manual do Diabético, voltado para o autocuidado de pacientes. Foi homenageado por 17 turmas de formandos da UFPR, sendo Patrono de duas.

No âmbito associativo, presidiu a Associação Médica do Paraná, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e, por quatro mandatos, a regional paranaense desta sociedade. Fundou a Sociedade Paranaense de Tisiologia e Doenças Torácicas e foi membro fundador da Academia Paranaense de Medicina.

Católico fervoroso, frequentava a Igreja de Santa Terezinha, no Batel, mesmo em idade avançada. Viajou por quase todo o Brasil e visitou cerca de 45 países. Dedicou-se ao ensino médico até a aposentadoria compulsória e faleceu em 11 de abril de 2015, aos 102 anos, em Curitiba, deixando um legado de excelência, humanismo e inovação na endocrinologia e na formação médica.


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